Advogado de Bruno pede paralisação de processo ao STJ

Ércio Quaresma alega incompetência da juíza de Minas Gerais responsável pelo caso

       BELO HORIZONTE - O advogado do goleiro Bruno, Ércio Quaresma, entrou com um pedido de habeas-corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) solicitando a paralisação do caso do desaparecimento da ex-amante do goleiro Eliza Samudio. O advogado alegou incompetência da juíza responsável pelo caso, em Minas Gerais, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 1º Tribunal do Júri de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

"Eu não sei que tipo de paixão ela criou por esse caso que faz com que ela o julgue de forma tão parcial. Ela praticamente decretou a morte da Eliza quando decretou a prisão preventiva do meu cliente. Ela está tomando as dores das partes. A parcialidade dela acabou faz tempo", afirmou o advogado. Para ele, o caso deveria ser julgado em Vespasiano, onde o crime teria ocorrido, segundo as acusações.

O pedido foi feito junto ao desembargador Celso Limongi, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que exerce função de ministro no STJ. O pedido de habeas-corpus impetrado por Quaresma não pede a liberdade do goleiro. "Vamos por partes. Primeiro gostaria que esse caso não ficasse a cargo desta juíza", disse.

Procurado, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) informou que a juíza foi declarada competente para julgar o caso. De acordo com o relator do processo da competência da juíza, ministro Doorgal Andrada, da 4ª Câmara Criminal de Belo Horizonte, "a comarca de Vespasiano seria apenas o local onde o delito teria sido consumado, não tendo sido arrolada nenhuma testemunha que resida naquela localidade, não havendo justificativa para que a competência seja para lá deslocada".

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo. No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime.

Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.