Manifestantes são confundidos com obra em Bienal

São Paulo - Logo no primeiro andar da 29ª Bienal de Artes de São Paulo, uma suposta obra chama a atenção de quem está passando. Pessoas vestidas de preto exibem cartazes pedindo liberdade aos urubus. O que parece ser mais uma intervenção, na verdade, é um protesto contra o trabalho de Nuno Ramos, o de maior destaque da edição.

Bandeira Branca, do artista paulistano, fica no lugar mais nobre do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o vão entre as rampas, podendo ser visto dos três andares. Na obra, três grandes caixas de som tocam canções que mostram que não podemos ficar acomodados, mesmo achando que tudo está bem.

Foi o que fez o grupo de ativistas em defesa dos animais. Com cartazes de protesto nas mãos, eles pedem a libertação dos urubus que também fazem parte de Bandeira Branca. Os animais, liberados pelo Ibama, estão desde segunda-feira (20) expostos como obras de arte vivas.

"Por que não colocam um animal empalhado aí?", diz a ativista Vegana Rosane Guimaraes, pouco antes de um segurança pedir que retirem os cartazes amarrados na grade da obra. "São aves de rapina, eles estão estressados com as caixas de som desligadas, imagina quando ligarem. Deviam colocar um ser humano aí".

No segundo andar, há poucos metros da obra de Nuno Ramos, no entanto, um homem trabalha em seu computador dentro de uma jaula. Em O Gabinete do Dr. Estranho, de Livio Tragtenberg, o próprio artista se mantém preso, fazendo um trabalho de edição de sons e imagens em seu computador.

Das caixas de som da máquina, gritos de "paz no mundo", entre outros protestos. Enquanto o público observa a inusitada obra, tirando fotos e filmando. Dentro da jaula, Livio parece nem notar a presença dos observadores. Em uma placa, o aviso "É proibido alimentar o Dr. Estranho com guloseimas. Use apenas sons e imagens".