SP mantém suspensa vacinação contra raiva para animais

A Secretaria de Estado da Saúde constatou que a vacina utilizada neste ano em São Paulo para a imunização de cães e gatos contra a raiva foi responsável por reações adversas acima do esperado em animais vacinados. A investigação foi realizada pela Coordenadoria de Controle de Doenças e o Instituto Pasteur em parceria com os municípios. A secretaria continua com a recomendação de suspensão das campanhas de vacinação desses animais, por tempo indeterminado, até que os Ministérios da Saúde e Agricultura decidam se é necessária a substituição dos lotes encaminhados a São Paulo ou mesmo do produto.

Foram distribuídos neste ano dois lotes da vacina Raipet-Biovet, adquirida pelo Ministério da Saúde, entre os municípios paulistas: os de nº. 59/2010 e 139/2010. No entanto, 77,5% das cidades receberam exclusivamente o lote 59/2010. Este lote também foi o único distribuído nos municípios de São Paulo e de Guarulhos, os mais populosos do Estado e responsáveis por 67% das notificações de reações adversas.

De 13 de agosto a 21 de setembro foram notificados 3.424 casos de reação em cães e gatos vacinados no Estado, dos quais 890 (26%) foram considerados graves, conforme critérios de classificação estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Das reações graves, 717 foram em gatos.

A incidência de eventos adversos no mesmo período foi de 4,86 casos a cada mil animais vacinados. A taxa é considerada elevada quando comparada com registros de eventos adversos da cidade de São Paulo nos últimos três anos, com índices sempre inferiores a 0,07 casos de reação por mil animais vacinados.

Um estudo de campo realizado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria por meio de entrevista telefônica e visita domiciliar a proprietários de 82 animais com eventos adversos notificados ao Centro de Controle de Zoonoses de Guarulhos aponta que 57% dos cães e 32% dos gatos já haviam recebido outras vacinas em campanhas anteriores e não apresentaram reações. Oitenta por cento desses animais vivem em residências e não tiveram contato com animais doentes nas duas semanas que antecederam a vacinação.

Laudos das necropsias de 15 animais mortos após a vacinação, elaborados pela Universidade de São Paulo apontam que cinco deles tiveram hemorragias digestivas. Outros dois também tiveram problemas no aparelho digestivo, sem confirmação de sangramento. Os demais apresentaram problemas diversos, como choque hipovolêmico e broncopneumonia. Dois laudos apontaram a causa da morte como indeterminada. Não é possível, entretanto, estabelecer a associação causal entre a vacina e os quadros encontrados nas necropsias.

Os resultados das investigações já foram encaminhados ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Agricultura. Técnicos do Ministério da Agricultura já estiveram em São Paulo recolhendo amostras do produto para análise, mas os resultados ainda não foram divulgados.

A secretaria ressaltar que a vacina contra a raiva humana, diferente do produto contra a raiva animal, está sendo oferecida normalmente à população do Estado de São Paulo para casos de mordedura, lambedura ou arranhadura de mamíferos.