SP: computador com dados sigilosos é furtado em prédio do Ministério Público

 

     SÃO PAULO - O prédio da sede do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em Campinas (SP) foi invadido na madrugada desta quinta-feira. Segundo o MP-SP, ladrões levaram um computador do Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que continha informações sobre um esquema de fraudes de licitações públicas, que envolveria órgãos estaduais e municipais e o governador do Tocantins, Carlos Gaguim (PMDB).

O furto ocorre na mesma semana que o MP-SP divulgou o teor das investigações. De acordo com a promotoria, as fraudes eram efetuadas em contratos de prestação de serviços de segurança, vigilância e limpeza. A estimativa do prejuízo causado aos cofres públicos é de pelo menos R$ 615 milhões.

Segundo o promotor Amauri Silveira Filho, o responsável pelo furto conhecia bem as instalações e sabia qual computador armazenava as informações. O prédio conta com seguranças armados, que não detectaram qualquer movimentação estranha. Para o promotor, o crime pode ter ocorrido durante a troca de turno da guarda. As investigações não serão prejudicadas, de acordo com Silveira Filho, já que o Gaeco possui cópia de todas as informações contidas no computador.

Na última segunda-feira, durante entrevista coletiva, Silveira Filho já havia denunciado vazamento de informações da operação. "A operação iria ser deflagrada hoje (segunda-feira), mas houve um vazamento e essa informação chegou até eles. Felizmente, conseguimos prender dois criminosos do núcleo em um hotel em Atibaia (SP), quando tentavam destruir documentos. O restante do grupo está em Campinas e São Paulo", afirmou na ocasião.

 

O caso
As investigações começaram em janeiro deste ano, após suspeitas de grandes contas das áreas de segurança, vigilância e limpeza estarem sempre nas mãos das mesmas empresas. A partir de uma apuração inicial, o MP chegou até os acusados, entre eles laranjas e donos de empresas de fachada. Oito pessoas foram presas no dia 17 de setembro.

O líder da organização, segundo o promotor, seria o empresário José Carlos Cepera, que teve prisão preventiva decretada por 10 dias neste final de semana. Os demais detidos, entre eles os policiais civis Alcir Biason e Alexandre Felix Sigrist, também ficarão presos pelo mesmo período. Estão foragidos os empresários Natanael Cruvinel de Souza e José Luiz Cortigas.

Segundo o promotor, Cepera é o "proprietário e administrador oculto" de seis empresas que estão em nome de laranjas. São elas a Lotus Serviços Tecnicos Ltda., Pluriserv Serviços Tecnicos Ltda., Infratec Segurança e Vigilancia Ltda., São Paulo Serviços Ltda., Pro-saneamento Ambiental Ltda. e O. O. Lima Empresa Limpadora Ltda. Os contratos celebrados totalizam R$ 615.723.232,78.

 

"Os criminosos agiam de forma compartimentada. O núcleo da quadrilha estava em Campinas. As fraudes eram realizadas sempre com vantagens em dinheiro por corrupção dos agentes públicos ou ajustes com empresas concorrentes", disse o delegado Roveraldo Battaglini, diretor da 2ª Corregedoria de Policia Civil de Campinas.