Justiça nega salvo conduto a pagodeiro acusado de matar mulher

A Justiça de Guarulhos, em São Paulo, negou nesta quarta-feira o pedido de salvo conduto solicitado pelo advogado do pagodeiro Evandro Gomes Correio Filho. O músico, procurado pela polícia desde a morte da ex-mulher em 2008, queria se valer da condição de eleitor e apresentar-se à Justiça no período eleitoral.

Evandro está com a prisão preventiva decretada desde que Andreia Crstina Nóbrega, na época com 31 anos, e o filho Lucas caíram do terceiro andar do prédio onde moravam em Guarulhos. O garoto resistiu à queda. O Ministério Público denunciou o pagodeiro por homicídio doloso (com intenção de matar) e recomendou pena de 30 anos de prisão.

Em sua decisão, o juiz Leandro Jorge Bottencourt Cano afirma que "não é o juiz de direito que deve se adequar à conveniência dos réus, e sim o contrário". Segundo o magistrado, o pedido advogado do pagodeiro denota completa inversão de valores e deturpação da vontade do legislador.

Na decisão, o juiz afirma que além deste processo, correm vários outros em Guarulhos e a pauta segue uma sequência lógica. "As audiências estão sendo designadas para o mês de dezembro. Portanto, não há disponibilidade para ouvi-lo no período ora guerreado", diz o juiz.

Sobre o período eleitoral o magistrado afirma ser imoral a cada dois anos abrir a pauta para ouvir os réus foragidos. "O presente 'decisum' tem por escopo pôr um fim a uma situação que desacredita o Poder Judiciário perante a comunidade, que não pode se conformar venha uma pessoa, durante anos, procrastinando, indefinidamente, o desate da questão", afirma na decisão.