Ministro interino diz que ficará poucos dias na Casa Civil

BRASÍLIA - O ministro interino da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima, afirmou nesta sexta-feira a funcionários que quer tentar manter uma rotina normal de trabalho, apesar do bombardeio de denúncias que recai sobre a pasta que dirige. Ao ser informado que substituiria Erenice Guerra, que deixou o governo após o agravamento de acusações sobre um suposto tráfico de influência, Esteves Lima recebeu o recado de que sua missão como chefe da pasta é de "poucos dias". Nesta manhã, ele voltou a destacar que tem conhecimento de sua interinidade. Ainda que com um mandato tampão, o novo ministro pode, no entanto, estender sua gestão até o final das eleições. Cresce dentro do governo a tese de que a 17 dias do primeiro turno, uma mudança no comando do principal ministério da administração federal daria munição para que as denúncias não esfriassem e eventualmente atingissem e comprometessem o desempenho da petista Dilma Rousseff na corrida pelo Palácio do Planalto. Nesta última quinta-feira, ao ler a carta de demissão de Erenice Guerra, o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, havia dito que seria "designado um substituto até a semana que vem". O risco de abalo do cenário eleitoral, entretanto, tem sido avaliado com a possibilidade de extensão do mandato provisório do atual ministro. Reportagem da revista Veja aponta que o filho da então ministra Erenice Guerra, Israel Guerra, teria recebido R$ 5 milhões da MTA Linhas Aéreas como "taxa de sucesso" na intermediação de uma transação. Matéria desta quinta-feira do jornal Folha de S. Paulo, por sua vez, mostra que os donos da empresa EDRB do Brasil Ltda, interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, foi orientada por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria, empresa aberta em nome de Saulo Guerra, filho de Erenice Guerra. A Capital teria pedido 5% do valor do empréstimo do BNDES para garantir o crédito.