Itaquera teme caos imobiliário com estádio do Corinthians

Dassler Marques, Portal Terra

S O PAULO - O anúncio de que Itaquera irá receber o novo estádio do Corinthians ainda não trouxe o reflexo positivo que se espera para o bairro paulistano. Pelo contrário: em duas semanas, a expectativa de valorização já provoca um caos imobiliário no local.

Segundo dados divulgados pelo Creci, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, a inflação no preço de apartamentos em Itaquera ultrapassa os 60%. "Por um apartamento de Cohab, que valia R$ 80 mil, estão pedindo R$ 130 mil", afirma José Augusto Viana Neto, presidente do grupo.

Nesta terça-feira, o Creci promoveu fórum de discussão com diversos segmentos da sociedade paulistana na tentativa de amenizar o impacto no preço dos imóveis em Itaquera após o anúncio realizado pelo Corinthians. Presença aguardada no evento, o presidente corintiano Andrés Sanchez não compareceu. A única autoridade da Prefeitura de São Paulo foi Luis Bloch, secretário adjunto de Desenvolvimento Urbano.

Ligado à comunidade de Itaquera e ao Creci, Silvio José Gonçalves fez um protesto veemente às especulações. "Enfrentamos uma situação muito difícil em locações, porque temos muitos imóveis. Estamos perdendo indústrias. Um dia escutamos que nossa região foi contemplada com a obra Avenida Jacu-Pêssego, que não saiu do papel. Itaquera está longe de ser uma Berrini, um Tatuapé. Ainda não chegou nossa vez. Que não ocorra especulação imobiliária, que vai travar e já vem travando a região. Em vez de crescer, vamos morrer", reclamou.

Viana Neto, o presidente do Creci, definiu o período atual omo "extremamente negativo" para o setor. "Isso é muito ruim para a sociedade. Em um futuro não muito distante, vai se transformar em prejuízos gravíssimos", disse.

O que é pior, acreditam as autoridades ligadas à Itaquera, é a falsa expectativa de evolução que a arena corintiana traz ao bairro. "É preciso mais definição sobre infraestrutura urbana na região. A valorização pode ocorrer com essas obras, que podem trazer benefícios. O estádio em si, não", avalia José Augusto Viana Neto.

O setor comercial

Membro do Conselho Consultivo do Programa de Metas, órgão criado para auxiliar a Prefeitura na execução das políticas públicas, Fatima Marinera pede mais planejamento para que o setor industrial possa se estabelecer no bairro e trazer progresso para a Zona Leste. Proprietária de indústria, ela lembra que outras empresas deixaram São Paulo justamente por conta disso. "Está tudo lá há 25 anos, mas só recentemente foi instituído o polo industrial", afirma.

Segundo corretores, a Lei do Zoneamento também impede o progresso de Itaquera. São proibidas construções que tenham mais de oito andares, o que impede diversos tipos de investimentos no bairro. Especialmente, dizem especialistas, na construção de edifícios comerciais.