PR: começa júri de acusados de matar filho de jornalista em 2007

Portal Terra

CURITIBA - Depois de dois adiamentos, teve início na manhã desta sexta-feira o julgamento dos dois vigilantes acusados do assassinato do estudante Bruno Strobel Coelho, filho do jornalista Vinícius Coelho. O crime ocorreu no município de Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, em outubro de 2007.

Os ex-funcionários da empresa de segurança privada Centronic Marlon Balen Janke, 33 anos, e Douglas Rodrigo Sampaio Rodrigues, 29 anos, foram denunciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Janke ainda responde por tortura mediante sequestro.

O estudante Bruno Strobel desapareceu no dia 2 de outubro de 2007 e foi encontrado morto uma semana depois na rodovia dos Minérios, em Almirante Tamandaré. Ele levou dois tiros na cabeça. Strobel teria sido morto pelos funcionários da Centronic depois de ter sido flagrado pichando o muro de uma clínica no bairro Alto da Glória, na capital.

De acordo com as investigações do caso, Bruno teria sido abordado pelo vigia Marlon Balen Janke. O jovem foi rendido e levado à sede da empresa de segurança, onde teria sido espancado por Janke e outros vigias. Durante a agressão, Bruno revelou ser filho do jornalista, o que teria motivado o assassinato. Com o auxílio dos colegas Douglas Rodrigo Sampaio Rodrigues e Eliandro Luiz Marconcini, Janke teria levado Bruno ao matagal onde foi assassinado.

O julgamento começou com a definição dos jurados e a leitura da denúncia por parte da juíza Inês Marchalek Zarpelon. Durante a manhã, ainda serão ouvidas as testemunhas de acusação.

Os advogados de defesa têm estratégias diferentes. Newton Ribeiro, advogado de Janke, informou que seu cliente é réu confesso da morte de Bruno, mas nega os crimes de formação de quadrilha e ocultação de cadáver. "Vamos contestar também todos os qualificadores do crime, como a acusação de tortura, por exemplo", disse. Já o advogado de Rodrigues, Cláudio Dalledone Júnior, afirma que seu cliente não participou do homicídio, admitindo culpa pela ocultação de cadáver. O promotor Marcelo Balzer Correa disse que pretende destacar a crueldade do crime para conseguir pena máxima aos acusados e sustenta que Rodrigues teve participação no crime.

O primeiro júri, realizado em 7 de julho, foi suspenso depois que a juíza descobriu que uma das juradas era irmã de um advogado que defendeu um dos acusados.

Depois, em 11 de agosto, a Vara Criminal de Almirante Tamandaré alterou a data do julgamento, previsto para o dia 12, porque uma testemunha convocada pela defesa - o presidente do Sindicato dos Vigilantes, João Soares - estava viajando e não fora localizado para receber a intimação.