MPF move ação contra ex-deputados e empresários 'sanguessugas'

Portal Terra

DESTRITO FEDERAL - O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) ajuizou nesta sexta-feira uma nova ação de improbidade administrativa contra o ex-deputado federal Jorge Pinheiro e os empresários Luiz Antônio Vedoin e Ronildo Medeiros. Os três são acusados de envolvimento na máfia dos sanguessugas e irão responder por desvio de mais de R$ 260 mil que seriam usados na compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares nos municípios de goianos de Formosa, Padre Bernardo e Água Fria de Goiás. O caso será analisado pela Vara Única da Subseção Judiciária de Luziânia (GO).

Os acusados fariam parte do esquema de fraude a licitações na área de saúde desbaratada em 2006 durante a Operação Sanguessuga. A quadrilha, composta por empresários, agentes públicos e políticos, agia de forma que empresas ligadas ao grupo Planam, de propriedade de Vedoin e Medeiros, ganhassem licitações superfaturadas, realizadas com recursos liberados por meio de emendas orçamentárias apresentadas por parlamentares envolvidos do esquema.

A fraude em Formosa, Padre Bernardo e Água Fria de Goiás aconteceu em 2003 e teria contado com a ajuda do ex-deputado federal Jorge Pinheiro, suspeito de receber em troca cerca de R$ 90 mil. Em depoimento, Vedoin e Medeiros afirmaram que parte do dinheiro foi pago diretamente ao ex-parlamentar em espécie. O restante foi depositado na conta de um assessor, utilizado como laranja no esquema. Segundo as investigações, entre 2000 e 2005, Pinheiro apresentou emendas que beneficiariam a quadrilha no valor de mais R$ 2,3 milhões.

Segundo o MPF, duas empresas de fachada ligadas ao grupo Planam (Klass Comércio e Representação Ltda e Enir Rodrigues de Jesus EPP) venceram as licitações para aquisição de veículos e equipamentos hospitalares nos municípios de Água Fria, Formosa e Padre Bernado. Elas receberam cerca de R$ 88 mil de cada prefeitura. A eventual participação de agentes públicos municipais nas fraudes ainda é investigada.

Em caso de condenação, os acusados terão de devolver aos cofres públicos o valor recebido pelas empresas, atualizado e corrigido. Os envolvidos também podem sofrer sanções como suspensão dos direitos políticos, perda do cargo, proibição de contratar com o Poder Público e pagamento de multa.