Em Minas TJ ouve 57 depoimentos sobre tortura e morte de empresários

Portal Terra

MINAS GERAIS - O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) começou, às 8h desta sexta-feira, a ouvir 57 testemunhas sobre as mortes dos empresários Rayder dos Santos Rodrigues, 38 anos, e Fabiano Ferreira Moura, 36 anos, no bairro Sion, em Belo Horizonte. Oito pessoas foram indiciadas por participar da suposta extorsão, tortura e decapitação das vítimas.

No total, estão previstas duas sessões para hoje, no 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette. A juíza Maria Luiza de Andrade Rangel Pires é a responsável por presidir os procedimentos. O promotor Francisco de Assis Santiago irá representar o Ministério Público.

Os acusados não devem depor na sexta, devido ao grande número de testemunhas. Uma nova data deve ser agendada para esta audiência, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Estão presos preventivamente Frederico Costa Flores de Carvalho, Adrian Gabriel Grigoceia, Arlindo Soares Lobo, Renato Mozer e André Luis Bartolomeu. Os acusados Sidnei Eduardo Benjamin, Luis Astolfo Charles Bueno e Gabriela Correia Ferreira da Costa foram soltos.

De acordo com a denúncia, os acusados sequestraram e extorquiram os empresários. Após fazer saques e transferências de valores das contas deles, o grupo executou-os, levando os corpos para Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, lugar onde foram mutilados e carbonizados.

Os crimes

Segundo a polícia, dois integrantes do grupo suspeito pelos assassinatos afirmaram que o chefe do grupo, Frederico Flores, conhecido como Fred, sabia que as vítimas estariam envolvidas em esquemas de estelionato e lavagem de dinheiro para camuflar atividades de contrabando. Eles teriam várias contas bancárias, abertas com documentos falsos, nas quais eram movimentadas grandes quantias de dinheiro.

Para extorquir os empresários, Fred planejou o sequestro dos dois, com o objetivo de extorquir e matar as vítimas. De acordo com a polícia, eles planejavam ainda um outro sequestro de uma pessoa identificada apenas como Marcinho, que seria o verdadeiro dono do dinheiro movimentado nas contas.

Rayder foi capturado no dia 7 de abril, ele teria sido atraído para o apartamento de Fred e foi morto após dois dias. A segunda vítima, Fabiano, foi sequestrada e morta no dia 9.

Para dificultar a identificação das vítimas, os dois foram decapitados e tiveram as extremidades dos dedos cortadas. Os corpos foram colocados em lonas plásticas e incendiados.