Programa de Serra na TV aposta em personagens como "seu Maneco"

Portal Terra

BRASÍLIA - Nos moldes do que foi o programa de seu partido na televisão, em junho, a campanha do candidato do PSDB à presidência, José Serra, vai explorar no horário eleitoral depoimentos de pessoas que foram beneficiadas por programas e políticas públicas adotadas pelo tucano enquanto ministro da Saúde, prefeito de São Paulo e governador do Estado. Os ataques ao partido adversário, o PT, serão deixados para os spots, peças de propaganda com 30 segundos de duração distribuídas no horário nobre das emissoras.

Segundo integrantes da coordenação da campanha, o candidato tucano não fará ele mesmo ataques diretos, de forma a não vinculá-lo aos momentos mais agressivos da campanha. A mesma tática foi adotada no primeiro debate realizado entre os presidenciáveis na semana passada. Na ocasião, Serra evitou polemizar com sua adversária petista, Dilma Rousseff.

No programa do partido, em junho, Serra aparecia ao lado do "seu Maneco", um barbeiro de Curitiba (PR) que foi alertado a fazer exame de próstata por um discurso de Serra quando ainda era ministro da Saúde. O tucano falava dos mutirões contra o câncer e Manoel foi procurar um hospital para fazer o exame. "Graças ao mutirão de Serra, em menos de 20 dias, seu Maneco foi operado", fala o locutor da peça dirigida pelo marqueteiro Luiz Gonzalez. O depoimento do barbeiro tomou mais de um minuto dos 10 a que o PSDB tinha de direito na televisão.

Serra deverá ter uma desvantagem em relação a Dilma no número de spots que irão ao ar (as inserções de 30 segundos distribuídas na programação das emissoras). Nos cálculos do PT, Dilma terá uma vantagem de 46% na exposição por meio dos spots. A candidata do PT terá 10min26s no horário gratuito, contra os 7min07s de Serra e 1min13s de Marina Silva (PV). Embora ainda não tenham confirmado o número de spots, nem a distribuição deles no horário nobre, os tucanos pretendem dividi-los por temas. Saúde, segurança e capacitação do trabalhador são temas garantidos, além das alfinetadas no PT.

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares são nomes ventilados como alvo dos ataques tucanos, quando o assunto é o escândalo do Mensalão. A crise da suposta compra de apoio no Congresso em 2005-2006 é considerada a pior do governo Lula e tirou do governo alguns dos principais aliados do presidente.

Os tucanos também estudam usar uma entrevista feita com Serra pela jornalista Ana Paula Padrão, à época repórter da Rede Globo, sobre o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Datadas de 1989, as imagens foram feitas no dia das eleições presidenciais daquele ano e, na visão do partido, ajudariam a rebater acusações de centrais sindicais ao candidato José Serra.

Os tucanos buscaram o material após as centrais sindicais, que apoiam Dilma, terem assinado um manifesto dizendo que Serra tem divulgado de forma indevida em sua campanha ser o criador do FAT e do seguro-desemprego. O material foi cedido pela emissora por se tratar de um documento histórico, segundo o PSDB.

O FAT é composto pelas contribuições do PIS e do Pasep e custeia o Programa do Seguro-Desemprego, o de Abono Salarial e o financiamento de Programas de Desenvolvimento Econômico (geridos pelo BNDES). Com a promulgação da Constituição em 1988, o benefício foi confirmado e uma emenda ao art. 239, proposta por Serra, passou a vincular o seguro-desemprego ao PIS e ao Pasep.