Plínio enfrenta silêncio ensurdecedor em encontro com empresários

Filippo Cecilio, Portal Terra

S O PAULO - "Alimento a esperança de conseguir alguns votos aqui, o que não vai ser fácil, mas se vocês aqui presentes pensarem com a cabeça, não tirarão o Psol da jogada". Essa colocação do candidato à presidência Plínio de Arruda Sampaio (Psol) resume bem o tom do encontro entre ele e empresários, realizado na tarde desta segunda-feira (9). Plínio participou de uma sabatina organizada pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), sobre o tema: "candidatos à presidência falam aos empreendedores".

A presença de Plínio chama atenção pelo fato do discurso de seu partido se opor de maneira direta ao que a plateia representa. O candidato deixou isso claro logo em sua fala de abertura. "Minha candidatura é a de um partido socialista. Não somos a favor da livre empresa, da livre iniciativa, mas sabemos bem que o socialismo não está na ordem do dia. Então, o que pretendemos é apontar soluções reais e propostas concretas para acabar com a desigualdade no Brasil", afirmou.

Enquanto o candidato discursava, o silêncio na plateia era ensurdecedor e, ao contrário do que acontece quando outros candidatos falam, o socialista não foi aplaudido ao término de sua exposição. As perguntas enviadas a ele pela plateia e as outras feitas pelos jornalistas que o sabatinaram - Heródoto Barbeiro, da CBN, José Nêumanne Pinto, do Estado de S. Paulo, Moisés Rabinovici, do Diário do Comércio e o economista Roberto Macedo - tentavam pegá-lo no contrapé. Entretanto, Plínio respondeu a todas as questões com a mesma desenvoltura demonstrada no debate da última quinta-feira (5), promovido pela Rede Bandeirantes.

Em certo momento, Plínio destacou que não havia somente grandes empresários no encontro, mas que também havia pequenos empreendedores e que esses sim poderiam estar mais interessados naquilo que ele tinha para propor. "Estudem nosso programa sem preconceito. Nós não temos preconceito com vocês, apenas pelo fato de serem grandes empresários. Temos, sim, contradições de fundo. Não escondamos isso. Não se iludam. Não fizemos o nosso programa pensando nos senhores, mas ele é o que mais interessa aos homens que se dedicam a empreender a produção no Brasil".

Pelo tom espontâneo com que Plínio respondia as perguntas, a plateia por vezes esboçava algum riso. O ponto alto foi quando ele respondia, mais uma vez, sobre a forma de como trataria o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), caso fosse eleito presidente. No exato momento em que defendia a ocupação de terras, ele percebeu a presença do candidato ao Senado pelo PMDB Orestes Quércia, grande fazendeiro de gado. "Está chegando o Quércia. Fiquei com medo agora. Tudo bem, Quércia?", disse Plínio de forma irônica.

O único momento no qual Plínio conquistou os ouvintes foi quando respondeu uma pergunta a respeito do sistema previdenciário. "Já perdi todos os votos aqui hoje depois do que eu disse. Agora, perderei os do funcionalismo público também. Minha situação é privilegiada, porque sou promotor público aposentado e essa é uma das maiores aposentadorias que existe. Sou um marajá, um latifundiário nessa questão. Nesse ponto, sou contra essas vantagens que o Estado tem. Tem que ser sistema previdenciário único para todo o País", disse Plínio, muito aplaudido pela plateia.

Ao final de sua fala, Plínio agradeceu a oportunidade que teve de expor suas ideias, que, segundo ele, são muitas vezes atacadas antes de serem entendidas. "Não somos o socialismo soviético que todo mundo quer que eu adote. Isso já está morto e enterrado. Mas defendemos soluções drásticas para quebrar a dinâmica de desigualdade existente. O problema do Brasil é que tem gente com mais liberdade que os outros". Após a sabatina, em entrevista aos jornalistas presentes, o candidato foi perguntado sobre seu próprio desempenho. Plínio respondeu: "eu tirei umas palminhas legais, né?".