Na Flip, Peter Burke comenta sobre o futuro do livro digital

Portal Terra

PARATY - Em ascensão nos últimos anos, o livro digital vem se tornado uma forma mais contemporânea de leitura, ainda que incipiente. Durante a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na cidade do Sul Fluminense, o assunto foi comentado pelo renomado escritor britânico Peter Burke.

De acordo com ele, a chegada do e-book (livro eletrônico) ao mercado, por exemplo, pode tornar a leitura mais superficial, em especial a dos jovens.

"As novas gerações não vão perceber isso, mas a tendência é a publicação de livros mais curtos e sem muita profundidade nos e-books. Eu não leio em e-books. Gosto de marcar as páginas quando estou lendo um texto interessante", contou.

O futuro do livro digital, na opinião dele, é certo. Porém, não substituirá por completo os livros tradicionais. "Acredito que o livro digital tenha futuro, mas algo diminuído. Não acho que ele substitua o livro tradicional, que deve durar pelo menos mais 30 anos, mas creio que o papel de importância do livro impresso será menor do que o e-book. É pura especulação. A geração que aprendeu a ler com computador pessoal e internet vai ler tanto no computador como também nos livros", afirmou Peter Burke.

Outra característica que deve ser realidade no futuro é a redução na quantidade de páginas dos livros impressos. "Os manuscritos, por exemplo, terão um espaço de importância menor, mas ele continuará com suas funções, assim como os livros impressos e o e-book", prever Peter Burke.

Para Flavio Moura, diretor de programação da Flip, quando o preço médio do e-book for reduzido, o livro digital ficará mais popular, ocupando parte do mercado editorial brasileiro.

"Tem futuro. É uma questão de tempo para o mercado. A partir do momento que isso for mais difundido, vai depender apenas do preço abaixar. Ainda é muito caro o e-book, cerca de R$ 600. O que é um preço muito elevado para o mercado brasileiro. Quando isso baratear, acho que ocupará uma fatia do mercado editorial nacional", disse Flavio.

O autor de quadrinhos Marcelo Quintanilha publicou recentemente a obra Sábado dos Meus Amores para iPad. Segundo Rogério de Campos, diretor da editora Conrad, ainda é cedo para fazer uma análise sobre o futuro das HQs como livros digitais.

"Vamos ver como funciona. É o primeiro lançamento de quadrinhos para iPad. Acho que tem uma luminosidade interessante. Até agora os meios eletrônicos não foram um bom suporte para quadrinhos, o que por outro lado o mercado fica mais seguro de investir neste segmento porque sabe que é dificultoso a passagem dessa arte dos quadrinhos para o eletrônico", disse.

Contudo, na opinião dele, a linguagem artística que melhor se relaciona com a internet sejam os quadrinhos. "A relação de texto e imagem dos quadrinhos, em diversos aspectos, têm muita semelhança com a leitura de internet. Quem lê quadrinho talvez esteja mais preparado para ler na tela do computador. E quem cresceu lendo em telas de computador entende mais rapidamente a linguagem de quadrinhos", comparou Roberto. "As HQs estão usufruindo disso. Os fãs de quadrinhos tiveram espaço para saber das novidades na internet, mas não na grande imprensa. Com a internet criou-se uma rede blogs e sites especializados que noticiaram sobre esse universo. Outras questão também é que a internet abriu espaço para os jovens artistas apresentarem seus trabalhos. Mesmo em uma editora especializada, o autor precisaria de uma obra com pelo menos cem páginas e isso dificultava a estréia dele, além disso não havia mais revistas para quadrinhos".

Em Paraty, ao contrário da edição da Flip do ano passado, não há espaço de editoras ou livrarias que atendam a este novo segmento dos livros digitais. Mesmo assim, foi possível encontrar leitores que já tiveram a experiência de ler livros através de um meio mais moderno. O estudante Gabriel Hess, 16 anos, começou lendo pelo MP4 um conto da maior escritora brasileira, Clarice Lispector.

"Eu tento não imprimir, para evitar desperdício de papel. Li um conto da Clarice Lispector pelo MP4 e foi