OAB reabrirá investigação sobre morte de secretária na ditadura

Portal Terra

RIO DE JANEIRO - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, anunciou nesta sexta-feira que vai reabrir a investigação sobre o atentado que matou a secretária da instituição Lyda Monteiro da Silva há 30 anos. Ela abriu uma carta-bomba endereçada ao então presidente do Conselho Federal, Eduardo Seabra Fagundes. O evento que marcou o anúncio da reabertura da investigação teve início às 13h40, no mesmo dia do mês e horário que a bomba explodiu há três décadas.

O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, disse que "aquilo foi um ato de covardia. Aquilo ali era facílimo identificar, porque poucas pessoas seriam capazes de elaborar um artefato como aquele". Vannuchi também afirmou que as pessoas precisam ser identificadas nem que seja para se envergonharem diante de seus filhos e netos.

O filho de Lyda, Luiz Felippe Monteiro Dias, disse que "essas pessoas têm que ser ouvidas. Eu ainda tenho esperança, sim, na apuração dos fatos. Em relação à violência e à impunidade, a sensação que eu tenho é como se o atentado fosse ontem".

O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, afirmou que há fatos novos com relação ao atentado e, baseado nesses fatos, a instituição vai pedir a reabertura do inquérito. Há suspeitas de que agentes do DOI-CODI, órgão de repressão da ditadura militar subordinado ao Exército, teriam participado do atentado à bomba na sede da entidade. Um deles, o sargento Guilherme do Rosário, que morreu no atentado do Riocentro um ano depois, teria colocado flores no túmulo de Lyda, o que chamou atenção dos parentes da vítima, por ser uma pessoa desconhecida da família.

Em relação ao atentado do Riocentro, Damous disse que vai ser feito um estudo sobre os novos indícios. Se forem confirmados, a OAB vai pedir também a reabertura do inquérito.