Marina: ambiguidades de Lula em política externa não são boas

Marsílea Gombata, Portal Terra

SÃO PAULO - A candidata à Presidência da República Marina Silva (PV) criticou a política externa levada a cabo pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, a qual apontou ambiguidades. "Acho que nós criamos ambiguidades e devemos corrigir ambiguidades. Eu conheço essas ambiguidades do presidente Lula e essas ambiguidades não são boas", disse em entrevista à TV Brasil, na noite desta sexta-feira (23).

A presidenciável criticou a maneira como o Brasil vem sendo condescendente em alguns casos regionais, como conflitos que têm o presidente venezuelano, Hugo Chávez, como protagonista, e ressaltou que, em política externa, é preciso clareza. "No meu entendimento, Lula avançou em vários aspectos, como ter levado o Brasil a regiões esquecidas como a África. (...) Mas faltou liderança maior na América Latina", disse, ao enfatizar que aspectos ideológicos não podem se sobrepor a premissas como direitos humanos. "Teríamos de afirmar mesmo na relação com o presidente Chávez", disse.

Ela criticou ainda o Mercosul atual. "Temos um outro problema pela frente que é o Mercosul. Não é união adueneira, não é livre comércio. Não estão sabendo encaminhar o Mercosul", ressaltou.

Diferencial

Questionada, no começo da entrevista, sobre por que sonha em ser presidente, Marina disse que a política no Brasil precisa "reencantar as pessoas". "Sou de uma geração que se encantou com a política e hoje vejo a política sendo jogada ao jogo de poder pelo poder. (...) A política vai sendo a cada dia como algo de segunda categoria. E foi responsável pela conquista da democracia", lembrou.

Em relação ao diferencial que teria em relação ao governo atual, a candidata ressaltou a questão da sustentabilidade e também o fator pessoal. "E também um pouco dessa tranquilidade que, graças a Deus, eu tenho. Não inimiga da Dilma, não sou inimiga do Serra", afirmou.

Ela criticou ainda quem acredita que pode-se governar sozinho, sem alianças. Apesar de ter se recusado a dar nomes de possíveis líderes de um eventual governo seu no Senado, ela citou o presidente do PV no Rio e candidato a deputado federal, Alfredo Sirkis, como um grande nome devido à visão de desenvolvimento social que carrega.

Ao lembrar a desistência dos rivais Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) que levaram ao cancelamento do primeiro debate on-line, Marina criticou o que chamou de tentativa de colocar o eleitor no anonimato. "Estão invertendo os papéis. No lugar de o cidadão nos escolher, estão escolhendo o cidadão. É uma inversão maluca", disse.