AM é o único Estado onde desmatamento cresceu, diz ministério

Evie Gonçalves, Portal Terra

BRASÍLIA - Os dados relativos ao monitoramento do desmatamento na Amazônia Legal, divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente, apontaram que todos os Estados da região norte diminuíram o ritmo de derrubada da floresta. A exceção foi o Amazonas, onde o desmatamento cresceu 6% entre a recente análise e a feita no ano anterior.

O ministério considera dados coletados entre agosto de um ano e maio do ano seguinte. Assim, no período entre agosto de 2009 e maio de 2010, a redução média do desmatamento nacional foi 47% em relação a tomada anterior de informações. Mato Grosso e Pará, Estados que normalmente desmatam áreas maiores, diminuíram o ritmo em 51% e 48%, respectivamente.

Quando comparados os dados isolados dos meses de maio de 2009 e maio de 2010, observa-se uma redução no desmatamento de 11%, segundo o ministério. Em maio do ano passado, a Amazônia brasileira perdeu uma área de 123 km², e no mesmo mês deste ano, a cobertura florestal foi reduzida em 109 km².

Segundo a ministra Isabela Teixeira, os dados podem ser considerados mais positivos porque a visibilidade da região foi melhor neste ano. Em maio de 2009 as nuvens cobriam 62% da floresta, mas neste ano a cobertura foi de 45%. "A partir do ano que vem, nós vamos trabalhar com uma nova tecnologia, que vai eliminar a influência das nuvens nos dados", disse ela.

O Ministério também divulgou dados de desmatamento em outros biomas, como Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa. Entre 2002 e 2008, o cerrado foi o que mais desmatou: 4% da área total do bioma foi extraída, o que representa uma área retirada de 85 mil km². Em segundo lugar está a Caatinga, seguida do Pantanal, Amazônia e Pampa, com 1,23% de área desmatada no período.

"O problema extrapola a Amazônia. O cerrado deve ser o nosso principal desafio a partir de agora. O presidente Lula deve editar um decreto para a consolidação de políticas que começam na Amazônia e terminam no Cerrado", afirmou Isabela Teixeira.