Na definição do vice, faltou avisar ao DEM

Claudio Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - Depois de quase implodir a aliança no Rio, o PSDB cria nova polêmica com os aliados. Duas semanas após escolher José Serra como candidato, os tucanos resolveram indicar o senador Alvaro Dias (PSDB/PR) para a vaga de vice. Mas o Democratas reivindica a vaga.

Nós apoiaríamos uma chapa do PSDB se o vice fosse Aécio Neves. Como ele não aceitou, a vaga é nossa explicou o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ).

Conversa truncada

Os coordenadores da campanha passaram todo o dia de sexta-feira consultando os aliados. A indicação resolveria o palanque do Paraná, onde o irmão de Alvaro, o também senador Osmar Dias (PDT), seria candidato ao governo, aliado ao PT. Com Alvaro vice de Serra, Osmar apoiaria o candidato Beto Richa (PSDB), e o palanque de Dilma Rousseff no estado seria inviabilizado.

O PPS e o PTB aprovaram a indicação. Roberto Jefferson, chegou a escrever no Twitter que Alvaro Dias é um baita nome. Soma muito.

Mas a reação do DEM foi diferente. Dirigentes só ficaram sabendo da indicação através da imprensa. Um dos mais exaltados no Twitter era o deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO). Com um aliado desse, o Democratas não precisa de inimigo. Vou defender dentro da executiva o fim da aliança com o PSDB , escreveu o parlamentar, e acrescentou em seguida que Álvaro Dias é um senador que não tem voto e é odiado pelos professores .

Para Rodrigo Maia, o PSDB deve resolver sozinho a questão paranaense.

Eles que resolvam internamente o problema no Paraná. Beto Richa pode apoiar Osmar Dias para o governo e se candidatar ao Senado.

Sobrevivência

Enquanto a coligação oposicionista entra em colapso, partidários de Dilma comemoraram. Também pelo Twitter, o presidente do PT, José Eduardo Dutra ironizou a trapalhada tucana. O pau tá comendo na oposição e eu aqui vendo os Stones. Céu de brigadeiro .

Para o cientista político Ricardo Ismael, o estrago na candidatura Serra já foi feito.

Foi uma falha na coordenação política. A divulgação foi precipitada. comentou Ismael. A decisão foi prolongada mais que o necessário. Não há nenhum craque, nenhum Lionel Messi que pudesse ser vice. Era tudo que o Serra não precisava.

Para Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos, a questão é de sobrevivência.

O DEM não tem para onde ir, e corre sério risco de virar uma força marginal. explicou. O PSDB já pensava em se livrar de uma reedição da aliança que sustentou o governo de FHC. Os tucanos precisam dos apoios no Sul, nem que para isso tenham que deixar o DEM pelo caminho.

Até Patrícia Amorim foi cotada para a chapa

As tentativas da coordenação política do PSDB de indicar um bom nome para vice na chapa de Serra levaram os tucanos a voos, no mínimo, polêmicos. Além do senador Alvaro Dias, um dos nomes cogitados era o da presidente do Flamengo, a vereadora carioca Patrícia Amorim (PSDB).

Segundo alguns analistas, a opção por Patrícia que chegou a presentear Serra com uma camisa do time rubro-negro, durante o primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo demonstra a falta de alternativas da cúpula tucana.

A ideia de lançar Patrícia Amorim candidata a vice é anedótica afirmou Luciano Dias, do Ibep. A principal virtude dela é ser presidente do Clube de Regatas do Flamengo, não tem densidade eleitoral para concorrer num pleito nacional.

Preferência

Indagada através do Twitter se existiria alguma chance de deixar o Flamengo para se dedicar 100% à vida política, Patrícia Amorim respondeu que pretende seguir na diretoria até o fim do mandato .