MPF arquiva investigação sobre suposto assassinato de Jango

Portal Terra

BRASÍLIA - A investigação sobre a suspeita de assassinato do presidente João Goulart foi arquivada pelo Ministério Público Federal (MPF). O procurador Júlio Schwonke de Castro Júnior descarta, em despacho interno, a tese de uma conspiração internacional para matar Jango em seu exílio na Argentina, em 1976.

A investigação foi aberta há dois anos e quatro meses pela Procuradoria da República do Rio Grande do Sul, que analisou documentos secretos e ouviu diversas testemunhas, incluindo um ex-adido militar em Buenos Aires e a ex-primeira-dama Maria Thereza Goulart. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

No documento, o procurador diz não haver "qualquer indício relevante" do assassinato de Jango, "nem a implicação concreta de qualquer autoridade no caso". Para Castro Júnior, a suspeita se baseava unicamente em "depoimentos confusos e contraditórios" de Mário Neira Barreiro, ex-agente da ditadura uruguaia, preso por crimes comuns no Brasil.

Barreiro disse à Polícia Federal ter participado de uma ação conjunta dos regimes do Cone Sul, que teria como objetivo eliminar Jango e impedir seu retorno ao Brasil. Segundo o relato, o presidente teria morrido por envenenamento - e não por enfarte fulminante, como aponta seu atestado de óbito.