Mensalão: Câmara do DF vai investigar outros 5 deputados

Portal Terra

BRASÍLIA - Por cinco votos favoráveis, a Comissão de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu abrir processo por quebra de decoro parlamentar contra cinco deputados distritais citados no inquérito do Mensalão do DEM. São eles: Rogério Ulysses (sem partido, ex-PSB), Aylton Gomes (PR), Roney Nemer (PMDB), Benedito Domingos (PP) e Benício Tavares (PMDB). Apesar de não terem aparecido em vídeos gravados pelo delator do caso, Durval Barbosa, os parlamentares são citados como supostos beneficiários do esquema de distribuição de propina.

Na prática, no entanto, as investigações na comissão, bem como a indicação de relatores para os casos, ficaram para o segundo semestre. O argumento é que, para o primeiro semestre, os prazos estão apertados. Nesta sexta-feira haverá jogo da seleção brasileira. O mesmo deverá ocorrer na segunda-feira ou terça-feira pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Na quarta-feira, os deputados votam a Lei de Diretrizes Orçamentárias e entram em recesso.

Os cinco deputados estavam com processos suspensos (sobrestados) na comissão. "Se eles (os processos) continuassem sobrestados aumentaria a possibilidade de arquivamento. Agora, os distritais serão investigados e terão possibilidade de esclarecer os fatos", disse a parlamentar Érika Kokay (PT).

Com a situação dos três deputados que apareciam em vídeo resolvida, a Câmara decidiu voltar a investigar os outros parlamentares. Leonardo Prudente (sem partido), que coloca dinheiro nas meias e paletó, e Júnior Brunelli (PSC), da oração da propina, renunciaram para fugir da cassação. Eurides Brito (PMDB) foi cassada esta semana.

Além de pedir a abertura do processo contra os cinco deputados, a Câmara Distrital também vai solicitar documentos à Polícia Federal e à Justiça sobre a parte sigilosa do inquérito. A intenção é saber se há alguma acusação mais grave contra os parlamentares. A análise que se faz nos bastidores é que, como eles são apenas citados e como a Casa já cassou a "deputada da bolsa", Eurides Brito, os cinco distritais devem ser inocentados.

O Mensalão do DEM

Em 27 de novembro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora. O então governador José Roberto Arruda (ex-DEM) foi acusado de pagar propina a empresários, secretários de governo e à base aliada na Câmara Legislativa. Pela acusação, o governo contratava empresas de informática e recebia de volta parte do valor pago pelos contratos. Com essa quantia, comprava votos dos deputados distritais para aprovar projetos de interesse, além de pagar valores mensais para secretários.

O ex-secretário de relações institucionais, Durval Barbosa, fazia os pagamentos da mesada, conforme a acusação. Em troca da delação premiada, filmou vários políticos recebendo dinheiro, entre eles o próprio governador. Após o escândalo, que ficou conhecido como Mensalão do DEM, Arruda foi preso e cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral por infidelidade partidária.

Na Câmara Distrital, os deputados Leonardo Prudente, que coloca dinheiro nas meias e no paletó, no vídeo, e Júnior Brunelli, que protagonizou a oração da propina, renunciaram para fugir da cassação. Eurides foi a única deputada flagrada em vídeo que permaneceu no cargo e encarou o processo por quebra de decoro parlamentar. No mês passado, ela foi afastada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, acusada de atrapalhar o andamento das investigações contra ela na Comissão de Ética da Câmara Legislativa.