Marina ironiza 'composições exóticas' feitas em Minas

Portal Terra

BELO HORIZONTE - Ao defender nesta quinta-feira (24), em Belo Horizonte, o estabelecimento de alianças com o que chama de "núcleos vivos" da sociedade, a candidata do PV à Presidência Marina Silva criticou algumas composições fechadas em Minas. Sem exemplificar quais seriam essas situações, alfinetou: "não estamos fazendo o que foi feito em Minas Gerais, que tem exportado para o Brasil certas espécies exóticas, com mistura de projetos e junção de candidaturas que ganham nomes até um pouco estranhos. Não preciso fazer composição exótica porque, naturalmente, já sou Silva", disse em relação ao sobrenome do presidente Lula.

Em entrevista à imprensa antes da convenção estadual do PV, que lançou o deputado José Fernando ao governo de Minas, a concorrente do PV disse que a provocação não era direcionada ao ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Patrus será vice na chapa do PMDB, com o senador Hélio Costa na cabeça de chapa. "Foi apenas uma brincadeira que fiz", desconversou. Em Minas, algumas "junções de nomes" que já tomaram conta da cena política local são o "Dilmasia" - suposto voto em Dilma Rousseff para Presidência e Antonio Anastasia, do PSDB, para governador - e o "Pimentécio" (Pimentel, do PT, e Aécio Neves, do PSDB para senador).

Críticas aos concorrentes

Na presença do candidato ao Palácio Tiradentes, José Fernando, coube ao presidente do PV no Rio, Alfredo Sirkis, fazer as críticas mais pesadas aos candidatos que lideram a corrida eleitoral no Estado - Anastasia e Hélio Costa. "A candidatura do Zé Fernando é importante. Como disse a Marina, Aécio (Neves) tem que ter um sucessor e não um continuador ou opositor", afirmou.

Ele admitiu que o PV foi base de apoio ao governo tucano em Minas nos últimos anos, mas disse que o ciclo se encerrou. E sobrou ironia para a postura dos atuais concorrentes. "O candidato do governador (Anastasia) talvez não seja aquele mais capacitado para potencializar seus pontos fortes", disse. Sobre Costa, afirmou que é um político "tradicional" que pôs o PT, segundo ele, "a reboque" de um projeto que não era o sonhado pelos filiados petistas. Por isso, segundo o verde, a candidatura do seu partido é uma alternativa em Minas.

Dia de candidata

Marina Silva cumpriu o roteiro de candidata durante sua passagem por Belo Horizonte. Após entrevista à imprensa em um hotel na região central, ela fez uma caminhada por pontos tradicionais nas eleições mineiras. Primeiro, fez uma parada no Café Nice e depois seguiu a pé pela região da Praça Sete até o local onde aconteceria a convenção estadual do PV. A senadora foi acompanhada por centenas de simpatizantes e conversou com eleitores durante o percurso.

Sobre a disputa estadual, garantiu que o concorrente do PV não ficará a reboque da candidatura nacional do partido. "A população mineira vai nos apoiar no nosso projeto tanto na disputa estadual quanto nacional. O fortalecimento não é unilateral. À medida que consolidamos o projeto nacional ajudamos os estados, e vice-versa", disse.