PMDB gaúcho vai optar por neutralidade na disputa presidencial

Portal Terra

PORTO ALEGRE - O Rio Grande do Sul está entre os estados nos quais o PMDB vai ter oficialmente posição de neutralidade no primeiro turno da disputa presidencial. A neutralidade já foi costurada com as direções nacionais do PMDB e do PT e é de conhecimento de lideranças do PDT. O PDT é aliado do PMDB gaúcho na eleição estadual e, na sucessão presidencial, apoia a candidata do PT, Dilma Rousseff.

O PMDB oficializou no último sábado, em convenção, a indicação do presidente da Câmara dos Deputados e do partido, Michel Temer, para vice de Dilma. Mas, desde antes da convenção, a cúpula nacional já negociava as questões regionais. Para as lideranças nacionais petistas que consideravam o Rio Grande do Sul como "perdido", a neutralidade do PMDB no estado pode não ajudar, mas é melhor do que nada.

O PMDB gaúcho, que é majoritariamente alinhado ao candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, defendeu na convenção nacional do sábado a tese derrotada, de que o partido tivesse candidatura própria ao Planalto. A insistência do diretório do Rio Grande do Sul na candidatura própria já era vista antes da convenção como uma forma de o partido no estado protelar uma definição em relação à aliança nacional. A posição de neutralidade está resolvida internamente desde o final de maio e é conhecida pelas lideranças partidárias, mas só deverá ser tirada oficialmente após as convenções estaduais conjuntas que PMDB e PDT farão no dia 26 de junho. "Decidimos deixar a decisão para mais adiante. No final de junho, passadas as convenções, veremos o que fazer", sinaliza o presidente estadual do PMDB, senador Pedro Simon.

Na convenção nacional Simon disse, em sua manifestação em defesa da candidatura própria, que o partido estaria preparado para apoiar Dilma no segundo turno. Na segunda-feira, durante reunião com deputados em Porto Alegre, o senador destacou que o pré-candidato do PMDB ao governo do Estado, José Fogaça, tem bom trânsito tanto com Dilma quanto com Serra. A neutralidade será usada como uma forma de proteger Fogaça, que não deverá tomar posição pública sobre o presidenciável de sua preferência.

"O candidato a governador vai manter a neutralidade, vai dizer que tem em seu palanque uma parcela grande que apoia a Dilma e uma parcela grande que apoia o Serra e que, em respeito a ambas, não tomará posição. Mas a campanha, na verdade, o partido vai liberar. A cúpula nacional impôs essa decisão de compor com o PT e eu até entendo. Agora, não nos obriguem a trabalhar contra nossos interesses", explica o deputado federal Osmar Terra (PMDB), serrista convicto. "Acredito que ocorrerá uma posição de neutralidade porque a candidatura Fogaça terá apoios entre as duas tendências. O Fogaça vai ficar como o Lula na Bahia. Tem dois candidatos que apoiam sua proposta", compara, com certa ironia, o deputado federal e pré-candidato a segunda vaga da aliança PMDB/PDT ao Senado pelo RS, Ibsen Pinheiro.

Além de estar alinhada à decisão do PMDB nacional de respeitar os acordos regionais e, em contrapartida, ter a garantia de que a quase totalidade dos estados não fará campanha contra a chapa Dilma/Temer, a neutralidade atende aos interesses da maior parte do PMDB gaúcho, que não pretende colocar o nome de Serra em santinhos de candidatos ou na propaganda na TV, mas, na campanha corpo-a-corpo, vai trabalhar pelo tucano. No Rio Grande do Sul, onde há vários anos PT e PMDB polarizam eleições, a maior parte dos peemedebistas não admite o apoio ao PT, mesmo que em uma chapa nacional, e as trocas de farpas entre os dois partidos são uma constante. "O PT, que fez verdadeiros estupros no Maranhão e em Minas Gerais, podia ter feito antes uma intervenção no RS para que os petistas e o Tarso (Genro, pré-candidato do PT ao governo do Estado) apoiassem o Fogaça. Aí a gente teria que apoiar a Dilma", provoca o deputado federal Darcísio Perondi (PMDB), também serrista.

"O Fogaça não vai no comício de ninguém no primeiro turno. Deve sair oficialmente a neutralidade. E, na prática, todo mundo sabe como a campanha vai acontecer", emenda o líder da bancada estadual, deputado Gilberto Capoani. Entre os cinco deputados federais e os nove estaduais do PMDB gaúcho, o único a expressar sua preferência por Dilma, no ano passado, foi o federal Mendes Ribeiro Filho, coordenador da campanha de Fogaça. Após reiteradas cobranças de integrantes do partido, ele hoje assinala que a prioridade é a eleição ao governo do estado.

Apesar das manifestações fortes dos deputados em favor do candidato tucano, além de Fogaça se manter a distância da disputa Dilma-Serra, lideranças como Simon e o ex-governador Germano Rigotto, pré-candidato à primeira vaga ao Senado, também devem adotar a imparcialidade como norma em relação aos dois principais candidatos à presidência. Rigotto avalia que a tendência é de o partido ter posição oficial de neutralidade e afirma que vai externar seu candidato à presidência apenas depois da definição de liberação. Interlocutores do ex-governador e de Simon asseguram que, no primeiro turno, ambos vão "marinar". No RS, a opção de peemedebistas pela candidata Marina Silva (PV) na eleição presidencial já é considerada como uma forma de neutralidade.