Ministro: aprovados em concursos fraudados serão demitidos

Agência Brasil

BRASÍLIA - Os funcionários públicos federais que foram admitidos por concursos públicos fraudados vão ser demitidos, informou nesta quarta-feira o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Os seis primeiros foram identificados em uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga fraudes nos concursos e a forma como elas são feitas.

Os seis candidatos já estavam na Academia da Polícia Federal e se formariam na sexta-feira. Depois, seriam efetivados como agentes da PF.

Paulo Bernardo foi procurado hoje pelo diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, para relatar as irregularidades identificadas nas investigações e comunicar sobre a operação que está sendo feita. "No caso desses que estão sendo apontados pela Polícia Federal, o diretor já me disse que vai demitir seis, e também vamos pedir a mesma medida para os que entraram com liminar no serviço público. O diretor me informou que já tem gente pleiteando até trabalhar em áreas estratégicas do governo. A pessoa não quer trabalhar no serviço público, que fazer maracutaia", disse.

Paulo Bernardo disse que o Ministério do Planejamento aguarda o fim das investigações para revisar as regras dos concursos. Segundo ele, não é admissível concurso público vulnerável, sujeito à fraude. O ministro informou que o governo acreditava agir de maneira correta no que diz respeito aos concursos, mas as investigações mostram que há falhas.

"Vamos ouvir os investigadores. Por enquanto, eles não podem dar informações, já que estão fazendo as investigações, porque poderia ter vazamento. A Polícia Federal tem que tomar providências e prender. Nós temos que tomar medidas para que isso não ocorra mais. A PF está de parabéns. Eles estão pegando uma coisa onde não havia sinais claros do que acontecia", afirmou.

Pelas investigações, candidatos usaram aparelhos eletrônicos monitorados de fora do local onde faziam as provas, para obter as respostas das questões. E mesmo no curso de formação, existia assessoria externa, com pessoas passando informações.

Quanto às admissões com liminares, o ministro afirmou que a Justiça tem que rever os processos para evitar que um fraudador entre para a máquina pública. "Com certeza não ajuda a melhorar o serviço público. Quem quiser entrar no serviço público tem que entrar por mérito. Não pode ser por fraude", disse.