MG: PT quer do PMDB compromisso com programa de governo

Juliana Prado, Portal Terra

BELO HORIZONTE - Derrotado na escolha do candidato a governador pela coligação com o PMDB, o PT mineiro vai pressionar, agora, para que o aliado assuma compromissos com a sigla. A ideia é, já no encontro estadual do PT, que acontece no próximo final de semana, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, fazer com que o candidato Hélio Costa (PMDB) se torne fiador do programa de governo petista. Com a presença do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, o encontro do diretório estadual, que pretende reunir centenas de delegados, quer mostrar que a participação direta da agremiação na chapa requer algum tipo de "fidelidade" dos peemedebistas.

O vice-presidente estadual do PT, deputado Miguel Correia Júnior, garante que não haverá imposição, mas um trabalho de convencimento para construção de um programa de governo "dentro do que o PT acredita". "Vamos apresentar nossas convicções para que o Hélio Costa se comprometa com nosso programa de governo". No evento, ainda serão anunciadas as chapas do partido para a disputa de deputado federal e estadual. Nos dois casos, o PT se recusa a coligar com PMDB ou PCdoB, o terceiro aliado da aliança. "Já abrimos mão do máximo que poderíamos (ter candidato ao governo do Estado). Isso já está absolutamente claro para todos", pontua Miguel Correia.

Novela da vice

O encontro estadual servirá, também, para formalizar a chapa majoritária com Hélio Costa candidato ao governo e Fernando Pimentel concorrente ao Senado. Mas a maior expectativa é de que, ainda durante a reunião, o nome do ex-ministro Patrus Ananias possa ser anunciado como o candidato a vice do PMDB na disputa ao Palácio Tiradentes. Aliados do ex-ministro em Minas, no entanto, fazem questão de reforçar que o partido trabalha com o prazo da convenção estadual - que é dia 27 de junho - para esta decisão.

Nos bastidores, a informação é de que Patrus ainda não se decidiu, mas tem fortes chances de aceitar a missão, à qual só abraçará em nome do projeto político nacional e do próprio PT. Como "homem de partido", mesmo não querendo carregar a bandeira do PMDB, aceitaria o posto, muito também em função da sustentabilidade da candidatura da presidenciável Dilma Rousseff (PT) em Minas.

Aliado de Patrus, o deputado André Quintão acredita que o encontro vai fortalecer a chapa Hélio-Pimentel e "mostrar que o PT absorveu a decisão nacional (de não ter candidato próprio)". O parlamentar afirma que, mostrando unidade, "o partido dará um sinal claro ao PMDB de seu potencial". Para ele, o ex-ministro não se decidiu sobre seu papel na disputa.

A sinalização do presidente Lula, no entanto, que disse esta semana em Minas que quer Patrus como vice, pode ser o peso que faltava para o sim do petista.