Marcelo Itagiba entrará com notícia-crime na PF contra o PT

Claudio Leal, Portal Terra

BRASÍLIA - O deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) vai entrar com uma notícia-crime na Polícia Federal para que seja apurada, segundo ele, a "formação de bando ou quadrilha", na campanha presidencial do PT, com objetivo de espioná-lo. Acusado pelos petistas de montagem de dossiês na campanha de Serra, Itagiba vai ingressar amanhã com o pedido de investigação.

"Tendo em vista que se montou um bando ou quadrilha para a prática de delitos, entrarei com uma notícia-crime para que haja uma apuração desses fatos", diz Itagiba ao Terra. Ex-diretor de inteligência da PF, ele comunicou a decisão aos colegas de partido, na tarde desta terça-feira (8), na Câmara.

Membro da assessoria de imprensa da campanha de Dilma Rousseff (PT) à presidência, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta teve um encontro, em Brasília, com o delegado aposentado da PF, Onésimo de Souza. Os relatos sobre a conversa são divergentes. Segundo o araponga, foi solicitado o monitoramento dos telefones de José Serra e Itagiba. Lanzetta, que se afastou da pré-campanha de Dilma, relata que foi procurado por Onésimo e não propôs a confecção de um dossiê contra Serra.

Dentro desta guerra judicial, o PT interpelou Serra na Justiça de São Paulo por declarações que vincularam Dilma à articulação do hipotético dossiê.

Itagiba é recorrente em denúncias sobre arapongagem. Em 2002, o senador José Sarney (PMDB) acusou-o de montar para José Serra, no Ministério da Saúde (governo FHC), um grupo de inteligência que vasculhou a vida empresarial e particular da filha, Roseana Sarney, então pré-candidata à presidência da República. O dossiê teria se desdobrado na operação da PF contra a Lunus, em São Luís (MA). Os agentes federais encontraram R$ 1,34 milhão em dinheiro na empresa de Roseana e Jorge Murad.