PSDB apela ao DEM e PMDB para manter coligação em SC

Portal Terra

FLORIANÓPOLIS - Em entrevista ao Terra, o governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB), afirma que o seu partido enviará carta ao DEM e PMDB pedindo que estudem a retirada de suas candidaturas ao governo do estado. Pavan se diz "muito indeciso" sobre sua própria candidatura à reeleição.

Embora esse seja, segundo ele, "o desejo do partido", a direção nacional quer manter a aliança entre as legendas - que se juntaram para vencer a eleição estadual de 2006. Para isso, seria preciso ao menos a desistência de uma das agremiações. Assim, o tucano faria o mesmo e a coligação teria apenas um cabeça de chapa. Do contrário, diz Pavan, ele também disputará o cargo.

Após reunião em São Paulo com os presidentes do PSDB e DEM, senador Sérgio Guerra (PE) e deputado Rodrigo Maia (RJ), Pavan decidiu manter em suspense sua decisão enquanto espera que o senador Raimundo Colombo (DEM) ou Eduardo Pinho Moreira (PMDB) desistam de suas candidaturas, ambas já formalmente lançadas. "Mas depois que frita o ovo é difícil desfazer", afirmou para explicar o porquê de não ter oficializado sua intenção de se reeleger.

O tucano aposta que o candidato democrata saia da disputa. "Ele teria mais quatro anos no Senado", explica. Para o PMDB seria mais difícil desistir. O partido fez prévias no Estado para definir seu candidato ao governo.Com uma diferença de 99 votos, Moreira, presidente estadual da sigla, venceu o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, que não se desincompatibilizou do cargo diante da derrota. Ou seja, os tucanos não contam com a desistência do peemedebista. "Já fizeram prévias, o prefeito permaneceu no cargo, seria muito ruim para eles caso Eduardo (Moreira) retirasse a sua candidatura", afirmou.

Nesta segunda, Moreira, que é presidente estadual do PMDB, viajou a São Paulo. O peemedebista conversou com Michel Temer, presidente nacional da legenda e vice da pré-candidata petista ao Planalto, Dilma Rousseff. O ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), por sua vez, falou recentemente ao telefone sobre o assunto com o pré-candidato do PSDB ao Planalto, José Serra. LHS, como é chamado no Estado, renunciou ao cargo para se lançar ao Senado e Pavan assumiu o posto.

O atual governador, no entanto, reconhece e lamenta que será muito difícil manter a tríplice aliança. Nesse caso, Santa Catarina terá cinco candidatos ao Palácio: Ideli Salvati (PT), Raimundo Colombo (DEM), Eduardo Pinho Moreira (PMDB), ngela Amin (PP) e Leonel Pavan (PSDB). O PSDB flerta com o PP e também não descarta a possibilidade de apoiá-la caso o DEM desista. "Em política até boi voa", disse o governador.

O problema é o PMDB, que integra o governo no Estado mas já ameaçou se aliar com o PT. A conta feita por Pavan é a seguinte: se todos lançarem suas candidaturas, num possível segundo turno e caso não haja enfrentamento entre PMDB-DEM-PSDB, os três partidos se unirão contra a petista Ideli Salvati.

Pavan está perdendo o comando do partido. Na quinta-feira da semana passada, a base do PSDB, contra a vontade do governador, acrescentou emendas a uma medida provisória enviada por Pavan. E mais, falta apenas uma assinatura para ser instalada uma CPI contra o governador por má gestão de merendas escolares. O deputado Darci de Matos do DEM já deu declarações de que pretende assinar.