Dividido, PP gaúcho tem quatro inscritos para vice de Yeda

Portal Terra

PORTO ALEGRE - O deputado federal Vilson Covatti, do PP gaúcho, ganhou força em sua pretensão de ser o indicado a vice pelo partido na chapa encabeçada pela governadora Yeda Crusius (PSDB), pré-candidata à reeleição no Rio Grande do Sul.

Terminou às 18h da última segunda-feira o prazo que havia sido estabelecido pelo diretório estadual do PP para que interessados em disputar a indicação de vice se inscrevessem. Covatti é a única liderança progressista com força estadual entre os quatro inscritos. Os outros três são vereadores (Eduardo Macluf, em Pelotas, Élio do Amaral, em Cruz Alta, e Jordão Oliveira, em Entre Ijuís).

Até o último momento, integrantes da bancada estadual e outras lideranças partidárias tentaram, em vão, estratégias para prorrogar o prazo de inscrições, de forma a convencer outros progressistas de maior "envergadura" a participarem do processo. Não tiveram êxito. O deputado estadual Jerônimo Goergen, também cotado para a disputa, não se inscreveu. O presidente da sigla no Estado, Pedro Bertolucci, passou o dia em Minas Gerais, onde proferiu uma palestra sobre gestão e o case da cidade de Gramado (da qual é ex-prefeito), e assegurou não haver chance de prorrogação do prazo. "Estamos evitando mais tumulto", disse Bertolucci.

O dirigente progressista assegura desconhecer as especulações de que Yeda não gostaria de ter Covatti como vice na chapa. "Para ela é uma solução que, lá na frente, poderá ter alguma dificuldade, mas será muito boa, porque vai turbinar a campanha. Para estas coisas tem que ser alguém que esteja disposto, e ele está, acredita na reeleição da governadora", afirmou.

Nos bastidores do PP e do PSDB a cada vez mais provável indicação de Covatti na chapa está acirrando divisões. Ainda ontem, em evento na sede do PSDB gaúcho, Yeda disse que a última palavra sobre o vice será sua, o que promete novos desdobramentos nesta terça-feira.

Entre parte dos progressistas, o entendimento é de que Covatti coloca em curso um plano pessoal (ele quer eleger o filho para sua vaga de deputado federal, a esposa para a Assembleia Legislativa e planeja ser candidato a governador em 2014) e de que as chances de desentendimento com Yeda são grandes, pois ambos teriam um perfil impulsivo. "O clima é de velório dentro do partido. Imaginem o nível da discussão", disse um deputado progressista.

Esse grupo do PP trabalhou para que o deputado Goergen se inscrevesse. Fez cálculos para mostrar que ele derrotaria Covatti na escolha do diretório, marcada para 7 de junho. Segundo os mesmos, contra Goergen, Covatti teria apenas 32 dos 141 votos do diretório. Mas o deputado, que já presidiu o partido e também quer se lançar ao governo em 2014, manteve sua decisão de concorrer a uma vaga na Câmara Federal. "Desde o início eu disse que não iria para um enfrentamento. Prego o consenso e em nenhum momento direi não ao partido, mas entrar em um processo deste tipo não dá".

O processo a qual Goergen se refere ou o tumulto citado por Bertolucci traduzem a situação do PP. Partido de grande peso no Rio Grande do Sul, com diretórios em todos os municípios e à frente de 149 prefeituras, o PP desde 1982 não elege um governador ou senadores. Neste ano, decidiu não lançar candidatura própria ao governo do Estado, priorizando a indicação de um nome ao Senado. Apesar de integrar a base de apoio a Yeda, se dividiu, e demorou para fechar a aliança com o PSDB em torno da tentativa de reeleição da governadora, em um processo desgastante de negociação no qual o acordo só saiu depois da interferência das executivas nacionais das siglas. Agora tem pressa em definir o vice.

O grupo que tem ressalvas a Covatti, contudo, ainda não desistiu. Além da aprovação na reunião do diretório no dia 7, o nome do vice precisará ser referendado na convenção estadual, em 28 de junho. Além do nome de Goergen, trabalham com o do ex-secretário da Agricultura, João Carlos Machado, apontado como o favorito de Yeda.