Situação dos aeroportos no País é "bastante séria", diz Ipea

Portal Terra

BRASÍLIA - Um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), sobre o panorama do transporte aéreo no Brasil, mostra que alguns dos principais aeroportos do País já não atendem à demanda.E a situação pode piorar, já que a perspectiva é de aumento dessa demanda nas próximas décadas.

O aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, por exemplo, tem sua capacidade máxima em horário de pico em 53 operações por hora. Mas os pedidos de pouso e decolagens chegam a 65, exigindo o deslocamento de voos para outros aeroportos ou outros horários.

"O que o estudo mostra é que hoje já existe uma demanda reprimida, mais pedidos de voos e decolagens do que esses principais aeroportos conseguem atender. Como a perspectiva de crescimento do PIB brasileiro, esses problemas deverão se acentuar. É uma situação bastante séria", disse Carlos Campos Neto, consultor do Ipea.

Para Josef Barat, um dos autores do estudo, o risco de o País viver um novo apagão aéreo não poderá ser descartado, caso as medidas necessárias para evitar o problema não sejam tomadas. Ele aponta a necessidade de concentrar os investimentos nos aeroportos de maior demanda como uma das orientações. "A Infraero manteve um modelo de distribuição de recursos entre os aeroportos. Esse foi um modelo adotado no Brasil durante várias décadas e que hoje não é mais funcional, não faz mais sentido".

Além de Guarulhos, o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, também apresenta demanda acima da capacidade, com pelo menos dez voos sendo deslocados para outros aeroportos nos horários de pico. Em Brasília, a capacidade máxima é de 36 voos e os pedidos de pousos e decolagens chegam a 45. Em Porto Alegre, a capacidade máxima é de 14 operações nos horários de maior movimento, mas os pedidos chegam a 20.