Moradores de rua sofrem com falta de políticas públicas em todo país

Vinicius Konchinski, Agência Brasil

SÃO PAULO - As falhas na rede de atendimento à população de rua não são uma exclusividade da cidade de São Paulo. As mesmas pessoas que criticam as políticas públicas para moradores de rua da prefeitura paulistana também lembram que situação semelhante pode ser verificada em praticamente todos os municípios do país.

Não conheço nenhuma cidade que eu possa dizer que tenha um tratamento adequado , afirmou em entrevista à Agência Brasil o coordenador-geral do Comitê Interministerial para Políticas para População em Situação de Rua, Ivair Augusto dos Santos.

Segundo Santos, não há no Brasil uma cidade que consiga integrar programas de saúde, de trabalho e de moradia voltados à população de rua. Para ele, a existência de uma coordenação entre os programas já solucionaria parte do problema

Atila Pinheiro, coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, ratifica a avaliação de Santos. Ele afirma que diversos casos de violência e maus-tratos a moradores de rua já foram relatados a ele por pessoas que viviam nas ruas do Rio de Janeiro e de Salvador.

No Rio, só ouvimos falar de milícias, de violência da força policial e do chamado choque de ordem , disse, citando a política da prefeitura carioca que visa a organizar a cidade impedindo, entre outras coisas, que moradores de rua permaneçam em áreas públicas.

Em Salvador, a população de rua é trancada em albergues administrados pela Polícia Militar (PM). Eles [os moradores de rua] entram lá de noite e só saem de manhã , afirmou Alderon Pereira da Costa, que também é membro comitê interministerial para população de rua.

Costa defendem a criação de leis municipais com diretrizes para o atendimento à população de rua para fazer com que os programas sejam levados mais a sério. Só desta forma as políticas não iriam mudar ao bel-prazer dos administradores públicos . Mas ressaltou que só leis não resolvem o problema. São Paulo, lembra ele, aprovou sua legislação específica sobre o tratamento a moradores de rua, em 2002, e ainda tem problemas sérios a serem resolvidos.

Procurada pela Agência Brasil, a prefeitura do Rio de Janeiro informou que a cidade tem hoje 4,8 mil pessoas em situação de rua - metade delas abrigadas e que os programas de atendimento à população de rua envolvem desde o encaminhamento a albergues até o auxílio para que imigrantes voltem à terra natal.

A prefeitura de Salvador revelou que mais de 2 mil moradores de rua vivem na cidade, onde contam com vários programas de atendimento, inclusive um que concede R$ 100 por mês a cada morador cadastrado, mas não esclareceu a declaração de Alderon Costa sobre o isolamento de moradores de rua em abrigos administrados pela PM.