Marina Silva critica afirmações de Serra sobre governo boliviano

Juliana Dal Piva, Portal Terra

SÃO PAULO - Muita preocupação. Essa foi a expressão utilizada pela pré-candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, quando questionada sobre as acusações do tucano José Serra de que o governo boliviano é cúmplice da exportação de cocaína daquele país para o Brasil. "Este fato é digno de preocupação. As relações precisam ser equilibradas se queremos construir uma aliança fraterna. A generalização pode trazer injustiças ao povo boliviano", disse Marina. A senadora licenciada respondeu a essa e a outras questões em uma palestra na tarde deste sábado (29) sobre política pública ambiental realizada no teatro da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Durante sua fala, a pré-candidata disse que apenas a história pode medir derrotas ou vitórias e lembrou sua saída do Ministério do Meio Ambiente em 2008 para exemplificar. "Queriam tanto que eu saísse e eu saí, mas naquele momento ouvi o presidente Lula dizer que não se modificaria a política ambiental, coisa que ele nunca tinha dito antes" contou Marina. Apesar de ter deixado a pasta ela não se sentiu vencida no episódio. " a vitória da queda no desmatamento está no peito de todos nós" completou.

A verde enfatizou que sustentabilidade não é um jargão utilizado para a proteção ambiental e que as todas as áreas estão contempladas no conceito, desde saúde e educação, até política e ética. Ela elogiou a Pastoral da Criança como experiência da sociedade para dizer que outras iniciativas assim precisam ser feitas, além dos projetos do governo.

Marina Silva ressaltou, no entanto, a importância da transparência nos gastos públicos. "É preciso deixar que o Ministério Público, o Tribunal de Contas e todos os mecanismos de fiscalização façam o seu trabalho". A pré-candidata sugeriu ainda a criação de uma espécie de "Big Brother" do Cartão Corporativo para que a sociedade pudesse acompanhar todos os débitos feitos com ele.

Ela voltou a defender a realização das reformas tributária, política e trabalhista, mas disse que para que a condução das mudanças funcione a sociedade precisa se envolver e se mobilizar. "Se fosse fácil, o 'trabalhador' teria feito a trabalhista e o 'sociólogo' teria feito a política", explicou em referência a Lula e FHC.

Sobre o atual e o ex-presidente ela disse ainda que os dois foram bem sucedidos em suas políticas porque eram lideranças e não "gerentões". "Querem dizer que o Brasil precisa de um gerente e o Brasil não precisa de um gerentão", afirmou ela.

Participaram do evento professores, alunos e lideranças das Comunidades Eclesiais de Base (CEB's) e alunos do Curso de Verão do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular da PUC em São Paulo. Marina voltou em seguida para Campinas (SP) onde participa de pré-convenção estadual do partido.