Pré-candidatura de Pinheiro ao Senado divide PT baiano

Portal Terra

SALVADOR - A noite desta sexta-feira será marcada por manifestações de petistas que representam a base da sigla na Bahia e que apoiam a candidatura ao Senado do ex-ministro da Defesa, Waldir Pires. "O desânimo da militância é porque ela percebe a força do pragmatismo eleitoral. Um apoio ao (deputado federal Walter) Pinheiro seria artificial", declarou Moysés Leal, que é secretário estadual de mobilização do PT baiano.

Na sede do partido, em Salvador (BA), Waldir Pires defenderá sua candidatura, às 18h, num ato que terá o apoio do deputado federal Geraldo Simões, dos vereadores de Salvador, Vânia Galvão e Giovanni Nascimento, além do ex-deputado federal Emiliano José.

Moysés Leal, que também integra o diretório estadual do PT, afirma que a posição da cúpula partidária na Bahia se afasta do sentimento da maioria dos mais de 70 mil militantes. "O sentimento da militância está sendo suprimido. O nome de Waldir devolveria tesão à militância", defende Leal.

Ele também ressalta a influência do governador Jaques Wagner na indicação de Pinheiro. "Os que querem o nome de Pinheiro são os mesmos que defendiam que o PT não tivesse candidato. Agora aparecem com um nome surpresa, quando o de Waldir já havia sido construído nas bases", comentou o dirigente.

A cúpula petista também terá um ato pró-Pinheiro na manhã de sábado, na sede do partido. À tarde, tentarão firmar um consenso durante reunião do diretório para que a reunião extraordinária do domingo, ainda sem local e horário definidos, seja apenas momento para homologar decisão da cúpula do PT baiano. Caso o consenso não ocorra, a decisão caberá aos mais de 350 delegados do partido no estado.

Na quinta-feira, 56 dos 69 prefeitos petistas no estado assinaram manifesto em apoio a Walter Pinheiro, dentre eles a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, que será coordenadora da campanha de Dilma Rousseff junto aos prefeitos do Nordeste, e Luiz Caetano, prefeito de Camaçari e líder do comissão política que articula a campanha de Wagner.

A cúpula petista quer evitar uma votação para decidir entre Pinheiro e Waldir, o que, como avaliam, geraria exposição negativa ao partido. Moysés Leal, entretanto, ressalta que não decidir da forma mais democrática causaria resistência no eleitorado petista, que se acostumou em votar em nomes que representam o sentimento das bases e da militância do partido.