Corregedor: laudo prova suicídio de pedreiro que matou 7

Márcio Leijoto, Portal Terra

GOINIA - O Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia entregou para a Corregedoria da Polícia Civil de Goiás quatro laudos da perícia que apurou a causa da morte do pedreiro Ademar de Jesus Silva, 40 anos, acusado pelo abuso sexual e morte de sete adolescentes em Luziânia (GO), no entorno do Distrito Federal, que foi encontrado enforcado dentro de uma cela da Delegacia de Repressão a Narcóticos (Denarc), na capital goiana no dia 18 de abril.

Para o corregedor da Polícia Civil, Sidney Costa e Souza, os laudos comprovam a tese de que o pedreiro se matou. Os exames toxicológico e de dosagem alcoólica indicaram que ele estava sóbrio e não foi envenenado. O de confronto de materiais aponta que a corda foi feita com o tecido que cobria o colchão de Ademar na cela. E o cadavérico mostra que a única lesão encontrada no corpo foi a causada pelo enforcamento com a corda.

"Somando esses resultados ao que já apuramos, os depoimentos dos presos, dos agentes, da delegada, mais as fotos e a investigação, não há sombra de dúvida de que foi suicídio. O resultado mostra que ele morreu por causa da asfixia causada pelo enforcamento. Não teve nenhum sinal de que ele sofreu alguma outra lesão, interna ou externa", disse o corregedor.

Sidney chegou a afirmar que, com a comprovação de suicídio, o inquérito policial aberto pela corregedoria seria arquivado na próxima semana já que não houve crime por parte de terceiros. Entretanto, ao ser questionado se não houve negligência por parte dos policiais, uma vez que era uma preocupação da Polícia a possibilidade de Silva se matar, o corregedor disse que não queria responder sobre isso agora. "Mesmo porque não quero entrar em contradição com o que já disse antes. Prefiro esperar até terça-feira, quando foi marcada uma coletiva com a imprensa para que possamos esclarecer todos os fatos."

A hipótese de suicídio já era levantada desde a época em que ocorreu a morte, no dia 18 de abril, oito dias depois de o pedreiro ter sido preso. Na ocasião, laudos preliminares apontavam para o enforcamento como a causa da morte. Silva foi encontrado sentado e com as pernas dobradas e os pés encostados no chão, posição que indicava, segundo os peritos, que ele mesmo se enforcou. A morte teria ocorrido em menos de cinco minutos.

O corpo de Silva ainda se encontra no IML, uma vez que por determinação da Justiça não poderia ser retirado até a conclusão de todos os exames. Segundo funcionários do Instituto, nenhum parente do pedreiro veio manifestar interesse na retirada do corpo.

O caso

Ademar é acusado de abusar sexualmente e em seguida matar sete adolescentes entre 13 e 19 anos de idade. Seis deles foram mortos entre os dias 30 de dezembro do ano passado e 22 de janeiro deste ano. A sétima vítima foi atacada no dia 20 de março. Ao ser preso, no dia 10 de abril, o pedreiro confessou os seis primeiros crimes. O corpo da sétima vítima só foi descoberto por acaso, quando exames de DNA apontaram que os ossos recolhidos no local apontado por Silva como de desova não era das primeiras vítimas.