Delegado morto durante entrevista seria vítima de roubo

Jornal do Brasil

SALVADOR - Foi enterrado terça-feira, em Salvador, o corpo do delegado Clayton Leão, morto a tiros terça-feira enquanto concedia uma entrevista ao vivo a uma emissora de rádio em Camaçari. A polícia prendeu três suspeitos, que confessaram o crime, e descartou a hipótese de execução, tese que desagradou a família de Leão.

A polícia considera o caso encerrado, e afirma que houve uma tentativa de assalto, apesar da gravação da rádio não registrar evidências de que era essa a intenção dos criminosos.

O que ocorreu foi uma fatalidade, é lamentável isso, mas foi uma tentativa de roubo seguida de morte disse o secretário de Segurança Pública da Bahia, Celso Nunes.

Ainda segundo Nunes, informações colhidas pelos investigadores indicam que o assassinato não tem ligação com os casos que vinham sendo investigados por Leão. Inicialmente, a polícia acreditava que o delegado havia sido morto em uma emboscada.

O governador Jaques Wagner e o delegado-chefe da Bahia, Joselito Bispo, estiveram no velório de Leão. Segundo Bispo, os suspeitos teriam dito que já haviam roubado dois carros antes de se aproximarem para tentar roubar o veículo do delegado, mas que atiraram quando perceberam que a vítima estava armada.

Leão foi atingido por dois tiros na cabeça, enquanto falava pelo celular com os radialistas sobre o combate aos crimes na região. O policial havia parado o veículo por causa da entrevista. Segundo testemunhas, um grupo de homens armados, em um outro veículo, se aproximou e começou a atirar.

No áudio da rádio é possível ouvir o delegado dizer: Peraí, peraí , e em seguida os tiros e os gritos desesperados de sua esposa: Pelo amor de Deus, mataram o Clayton aqui na Cascalheira! .

Família contesta a tese

Apesar das conclusões da polícia, familiares de Leão põem em dúvida a versão da polícia.

Meu primeiro sentimento é que foi execução disse o tio de Clayton, João Chaves, ao jornal A Tarde, durante o enterro do sobrinho, ressaltando que a única testemunha do assassinato, a mulher do delegado, ainda não depôs.

A Prefeitura de Camaçari decretou luto oficial de três dias.