Partidos divergem sobre o voto distrital

Jornal do Brasil

RIO - No segundo dia do 22º Fórum Nacional, realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, a reforma política deu o tom dos debates promovidos no painel Fortalecimento das instituições políticas do país: sistema de partidos e Congresso Nacional.

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que o seu partido é contra o voto distrital, proposta defendida pelo ex-deputado tucano Márcio Fortes, que representou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (impedido de comparecer por problemas de saúde).

No caso do Brasil, eu tendo a aceitar o voto distrital misto. Nós temos um problema aqui, que é exatamente a definição geográfica de cada distrito. Uma coisa é um país em que você tem a distribuição mais ou menos semelhante da população por todo o território nacional. A outra coisa é um país como o Brasil, onde, por exemplo, um distrito em São Paulo pode ser composto por um único bairro, e, no Amazonas, o distrito pode ser uma área de milhares de quilômetros quadrados opinou.

Já o representante do PSDB, Márcio Fortes, além de defender o voto distrital, também criticou as coligações para campanhas proporcionais.

Nós, do PSDB, preferiríamos que houvesse o voto distrital, assim como não aceitar coligações para campanhas proporcionais. Isso faz com que um conjunto de partidos funcionem como único, mesmo partidos grandes, como o DEM e o PSDB. Por isso se interessam em se coligar com pequenos partidos. É uma disfunção, porque a coligação existe para a eleição e depois se desfaz.

Congresso

Na segunda mesa-redonda montada para o painel, o senador Cristovam Buarque (PDT) e o deputado federal Fernando Gabeira (PV) pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro debateram assuntos relacionados à modernização do Congresso Nacional.

Cristovam Buarque defendeu ações que garantam a modernização eleitoral, política e ética para o país.

É preciso reduzir o mandato de senador para quatro anos, e acabar com a figura do suplente. Também temos de dar fim a todo benefício privado ao parlamentar, fora o salário. Seria ainda saudável a divulgação online de todos os gastos do exercício do mandato afirmou, como tinha antecipado ao JB na edição do últmo domingo.

Fernando Gabeira comentou que a reforma política no Brasil só será possível se houver pressão popular:

Nos últimos anos, o Brasil experimentou avanços econômicos e sociais, mas não avançou na política. É muito difícil a reforma política sair por quem a teme (políticos com mandatos). É mais fácil sair pela pressão popular finalizou.