Dilma diz que não defendeu novo imposto em substituição à CPMF

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - A pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, explicou nesta terça-feira (18) que é favor de uma reforma tributária, e que não defendeu a criação de um novo imposto como forma de repor as perdas provocadas pela extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Nesta segunda, em entrevista à rádio CBN, a ex-ministra da Casa Civil admitiu que recursos para financiar o setor da saúde e que haviam sido prometidos por conta de uma futura arrecadação da CPMF poderiam ser obtidos "de outra fonte tributária".

"Sou a favor da reforma tributária. Em relação aos impostos, eu acho que tem que diminuir e não aumentar. É que não é possível a gente supor que sai R$ 40 bilhões da receita da Saúde e fica tudo por isso mesmo", disse a pré-candidata antes de participar de um encontro com prefeitos e prefeitas da base aliada, em Brasília.

"Eu tenho dito sistematicamente que eu sou a favor de uma reforma porque eu acho que a questão do imposto no Brasil já beirou o limite. Nós temos que fazer uma reforma, porque isso vai significar simplificação dos tributos, desoneração da folha de salários, desoneração dos investimentos", comentou a petista.

Na avaliação da pré-candidata, as articulações que puseram fim à CPMF em 2007 representaram uma "armadilha" e uma "arapuca" porque retiraram recursos já comprometidos com projetos de saúde, e os parlamentares de oposição que contribuíram para a extinção do tributo não garantiram uma fonte de financiamento para os projetos.

"O que aconteceu conosco? Nós, brasileiros, fomos colocados numa verdadeira arapuca, numa armadilha. Porque a oposição tirou R$ 40 bilhões da área da Saúde, sem um processo de transição, de um dia para o outro. E hoje nós temos que fazer face a vários reclames vindos não só dos prefeitos, mas da população. A população quer saúde. O que eu disse o seguinte: não há milagre. Esse é um país que amadureceu", declarou.