Para Serra, BC trabalha direito, mas precisa ser acompanhado

Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Após a polêmica que provocou ao afirmar que o Banco Central não é a Santa Sé, ao tentar explicar que a instituição não pode ser intocável , o ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou a falar terça-feira sobre o tema, apesar de tentar evitar o assunto para não causar uma nova ventania , refererindo-se às declarações feitas à rádio CBN na segunda-feira. Em entrevista ao canal de TV SBT, Serra defendeu o entrosamento entre a instituição e o governo federal.

O Banco Central tem que ter autonomia para trabalhar, mas tem que estar integrado com a política econômica do governo e com o presidente da República, que é quem indica seu presidente e diretores. Foi assim no governo Fernando Henrique e no governo Lula. O Banco Central tem que estar voltado para a estabilidade de preços e o desenvolvimento. Por isso é preciso ter entrosamento disse Serra.

O tucano cumpriu agenda de compromissos em Goiás. Apesar de afirmar que não queria comentar sobre o tema, Serra aproveitou para criticar o governo Lula ao falar, indiretamente, das divergências entre o presidente do BC, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na condução da política econômica:

Sobre o BC de hoje não quero falar. Agora, a minha equipe vai ter gente entrosada, não vai ter gente falando uma coisa para um lado e outra para o outro.

Em busca de alianças

A visita do pré-candidato tucano a Goiás acontece depois de o PSDB lançar o senador Marconi Perillo ao governo local evento ao qual Serra faltou. Apesar de alegar uma dor de garganta no dia do ato, Serra queria evitar constrangimentos com o PP, que também lançou candidato: Wanderlan Cardoso. O PSDB tenta convencer o PP a apoiar o tucano na corrida presidencial.

Outro problema no estado é a falta de entrosamento com o DEM, partido com o qual o PSDB é aliado nacionalmente. Em Goiás, no entanto, a aliança não vingou. Terça-feira, o presidente do DEM goiano, o deputado Ronaldo Caiado, recepionou Serra ao lado de outro democrata, o senador Demóstenes Torres. Caiado disse que não há riscos de abalo na aliança nacional. Mas confirmou que, por enquanto, em Goiás, o acordo não está fechado.