Nº de prefeitos do Rio que apoiam Dilma é menor que o anunciado

João Pequeno, Portal Terra

RIO - Apesar do coro puxado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e da presença quase total, nem todos os 86 prefeitos - de um total de 92 das cidades do Rio de Janeiro - estavam afinados com o grito "olé, olê, olê, olá... Dilmá, Dilmá!". Mas, ao contrário do que foi anunciado pelo PT, até o momento Dilma não tem o apoio de 86 prefeitos no Rio.

Mesmo presentes, prefeitos de partidos de oposição, como PSDB e DEM, disseram ao Terra que não apoiam Dilma, firmando posição com o pré-candidato da oposição à Presidência, José Serra (PSDB), ou se declarando "na dúvida". A infidelidade partidária foi mais consumada no campo estadual, com declarações de apoio a Sérgio Cabral. Quem perde é Fernando Gabeira (PV), seu futuro adversário pelo governo do Estado e oficialmente apoiado por DEM e PSDB.

Prefeito de Resende, no Sul Fluminense, José Rechuan Junior (DEM) não hesita em declarar apoio "ao governador, sem sombra de dúvida". Sem seguir seu partido na aliança com PSDB, PPS e PV ao governo estadual, ele argumenta que, para governador, "o DEM não tem candidato. O próprio Gabeira ainda não mostrou firmeza e eu não tenho como ir contra a política do governador Sérgio Cabral, nem nenhum prefeito iria".

Ele diz ter ido como "prefeito convidado cidadão" ao encontro com Dilma nesta segunda-feira (10) em uma churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. "Não tenho problema com isso; tenho muitos amigos do PT, do PDT e do PSDB. Fui ouvir o que ela tinha a dizer", afirmou.

Se, durante o almoço, Dilma comemorara o pagamento da dívida com o FMI, Rechuan lembrou que "em 1989, o PT pregava o calote da dívida. Quem diria que, um dia, iria pagar?". Adotando mais conciliador, disse o Brasil vive "nos últimos tempos, governos de continuidade", referindo-se a Lula e Fernando Henrique Cardoso. "O PT não desfez nenhuma das privatizações", acrescenta, concluindo que, para o Senado, segue o pré-candidato de seu partido, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia.

Em seu Twitter, Maia alfinetou nesta terça (11) o encontro de Dilma com Cabral e os prefeitos, afirmando que, de 86, "apenas 31" estão com a ex-ministra chefe da Casa Civil. "58 nem pensar", disse, em uma conta que extrapola o número de presentes, somando 89 - provavelmente acrescentando alguns prefeitos ausentes, como Rosinha Garotinha, de Campos, mulher do ex-governador a pré-candidato do PR, Anthony Garotinho, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito (PSDB), e o de Cabo Frio, Marquinho Mendes (PSDB).

Por e-mail, Cesar Maia disse ao Terra que quem não fosse poderia "levar um 'troco'" - no sentido de desforra.

O prefeito de Cabo Frio afirmou que "não teria problemas" em ir ao encontro com Dilma, o que não fez por ter outros compromissos - ele enfrenta um processo de cassação pelo TER. Marquinho Mendes segue seu partido, apoiando José Serra para presidente, mas no Estado está com Cabral, com quem tem "uma dívida de gratidão". Ele afirmou não temer o "troco" alegado por Cesar Maia. "Não precisaria ganhar um centavo do governo para apoiar o Cabral. Minha relação com ele é de amizade. Tenho minha posição e assumo", disse.

Presente ao encontro com Dilma, o prefeito de Japeri, Ivaldo Barbosa dos Santos, mais conhecido como Timor (PSDB), é outro a seguir o partido na eleição para presidente, à qual concorrerá com José Serra. Por nota, ele respondeu que foi ao almoço convidado por Cabral, como "uma forma de agradecer a parceria realizada entre a prefeitura e o governo do Estado que muito tem beneficiado a população de Japeri". Timor acrescentou que "não foi realizado nenhum tipo de acordo".

Outro prefeito do DEM, Adilson Faraco, de São José do Vale do Rio Preto, contou que foi ao almoço com Dilma convidado pelo vice-governador Luiz Fernando Pezão, "um amigo meu, não podia recusar". Cauteloso, disse que ainda não tem definido seu apoio pra presidente e que pretende esperar a convenção de seu partido, mas liberou seus secretários para apoiarem quem quiserem. "Tenho afinidade muito grande com o atual governador Cabral, que esta sempre aqui na terra", concluiu.