Minc diz que é mais fácil limpar a Guabanabara do que a política

Marcela Rocha, Portal Terra

SÃO PAULO - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta terça-feira durante debate com representantes dos candidatos à Presidência da República, em São Paulo, que é mais fácil limpar a Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, do que a prática política no País. A crítica foi feita quando Minc, que representava a pré-candidata petista Dilma Rousseff, foi indagado sobre a viabilização do projeto Ficha Limpa, que tramita no Câmara dos Deputados.

O debate teve como tema a participação da imprensa como indutora da sustentabilidade na pauta política e foi promovido pelo Instituto Ethos. Além do ministro Minc, o encontro reuniu ainda Francisco Graziano, coordenador do programa de governo do pré-candidato, José Serra; o coordenador do programa de governo da ex-ministra, Marina Silva (PV), João Paulo Capobianco; e o candidato do Psol à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio.

Ao contrário do que poderia ser previsto, os representantes dos pré-candidatos José Serra e Dilma Rousseff, que têm tido maior representação nas pesquisas eleitorais, mostraram uma certa aproximação. "Não vejo que grandes rupturas sejam feitas (em relação ao projeto ambiental do governo Lula). O Minc e eu trabalhamos juntos e tivemos muita afinidade", sinalizou o secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Francisco Graziano.

Quem criticou essa "aproximação" foi o pré-candidato do Psol, Plínio de Arruda Sampaio. "É óbvio que eles conseguem trabalhar todos juntos, porque são todos capitalistas", disse Plínio, que se julga como "ecossocialista".

Destacou que tem uma visão completamente distinta de economia e ecologia quando comparado com os demais candidatos. "Que adianta se falar em ecocapitalismo? Os resultados disso são ínfimos", criticou.

O pré-candidato do Psol, que arrancou aplausos mais de uma vez da plateia, também protagonizou um dos momentos mais críticos do debate quando comparou a atuação política de PV e PMDB. "O PV está pior que o PMDB. Onde tem governo, está lá".

O socialista, único candidato que compareceu pessoalmente ao evento, fez questão de ressaltar suas diferenças quanto aos concorrentes. "Os meus adversários, não são vocês. Vocês são ótimos, eles não. Eles falam em melhoria enquanto tem que resolver", apontou.

Em tom mais ameno, João Paulo Capobianco, coordenador da pré-candidata do PV à Palácio do Planalto, Marina Silva, fez questão de ressaltar que a ex-ministra se torna política por sua militância em prol da "melhoria de vida das pessoas "que foram vítimas do processo predatório de desenvolvimento".

Questionado sobre a apropriação da pauta do meio ambiente pelos adversários, Capobianco afirmou que a trajetória da ex-ministra foi "muito bem marcada por sua luta pelos direitos humanos".