DNA descarta 1ª vítima de Luziânia e mais 1 corpo é encontrado

Márcio Leijoto, JB Online

GOINIA - Os bombeiros encontraram nesta terça-feira mais um corpo na fazenda onde o pedreiro Ademar de Jesus Silva enterrava suas vítimas. A suspeita é que ele seja da primeira vítima a desaparecer em Luziânia, Diego Alves Rodrigues, 13 anos, que sumiu no dia 30 de dezembro. As investigações também devem indicar de quem é o sexto corpo encontrado na primeira etapa das buscas.

A procura por mais corpos na região indicada pelo pedreiro começou nesta terça-feira depois que a Polícia Federal divulgou que o laudo do Instituto Médico Legal apontou que um dos seis corpos investigados não era de Diego Alves Rodrigues. Com isso, crescem as suspeitas de que o cadáver seja de Eric dos Santos, 15 anos.

O jovem está desaparecido desde o dia 20 de março e sua mãe teria reconhecido como dele uma bermurda e um chinelo encontrados na casa do pedreiro, depois de sua detenção, no dia 10 de abril.

O corpo encontrado nesta terça-feira será encaminhado para exames de DNA e necropsia para confirmar se são de Diego, assim como o material genético da família de Eric será comparado ao da ossada ainda não identificada.

No local indicado pelo pedreiro, distante 2 km do bairro onde moravam o pedreiro e as vítimas confirmadas pela polícia, foram encontrados apenas seis corpos. Entretanto, parentes de uma das vítimas encontraram ossos dois dias depois dos peritos recolherem os corpos. Até então, a polícia suspeitava que estes ossos achados depois teriam caído no momento em que os agentes do Instituto Médico Legal (IML) recolhiam os corpos.

A polícia só começou a investigar o sumiço de Eric no dia 20 de abril. Dois dias após Ademar ter sido encontrado enforcado em uma cela na Delegacia de Repressão a Narcóticos (Denarc), em Goiânia. Ele confessou em depoimento à polícia e à imprensa a morte de seis jovens.

"Foi um descaso da polícia (a demora). Se tivesse investigado antes, poderia ter ouvido o maníaco. Agora que ele morreu, como vai saber?", afirmou a tia de Eric, a dona de casa Edite da Silva Carvalho Soares, 47 anos.

A mãe do estudante reconheceu a roupa na semana passada. A polícia acreditava que ele havia fugido para Brasília (DF), onde teria sido visto por testemunhas. Antes do reconhecimento, a polícia afirmou ter informações de que Eric teria comunicado a parentes que iria fugir de casa. "Ele nunca disse isso, não tinha motivo para fugir de casa. A gente sempre desconfiou que ele foi vítima desse maníaco, mas a polícia não dava atenção para nós. Agora, pode ser tarde demais. A mãe dele quando viu a roupa entrou em desespero. Teve de tomar um monte de remédios", afirmou Edite.

Ao contrário dos outros seis jovens, Eric morava em um bairro distante do local do crime. O estudante havia saído por volta de 11 horas para uma aula de dança, no dia 20 de março, um sábado, e nunca mais foi visto. Ele vestia camiseta e a bermuda e chinelo que teriam sido reconhecidos na delegacia pela mãe na semana passada.

As famílias dos seis jovens identificados como vítimas de Ademar aguardam para esta semana o resultado dos exames de DNA que vai identificar os corpos encontrados na mata. Só depois eles poderão ser velados. Na terça-feira, completa um mês desde que as ossadas foram encontradas e recolhidas.

Segundo parentes das cinco primeiras vítimas identificadas, um velório coletivo está sendo organizado. A intenção das famílias é que seja feito na quinta-feira em um salão do bairro onde os meninos moravam.

Jovens de Goiás

Entre os dias 30 de dezembro de 2009 e 22 de janeiro deste ano, seis jovens com idades entre 14 e 19 anos desapareceram em Luziânia, a 196 km da capital Goiânia (DF), no entorno do Distrito Federal. O caso ganhou repercussão nacional e foi investigada, além da polícia, pela CPI do Desaparecimento de Crianças e Adolescentes, da Câmara dos Deputados.

O paradeiro dos jovens só foi solucionado na manhã de sábado, 10 de abril, quando o pedreiro Ademar de Jesus Silva, 40 anos, foi preso acusado de estuprar e matar os rapazes. Ele mostrou à polícia o local onde estavam os corpos dos garotos e, em entrevista, se disse arrependido e afirmou que pensava no sofrimento dos familiares dos jovens mortos. O pedreiro também declarou que foi vítima de abusos sexuais no passado e disse que cogitou o suicídio após a repercussão das mortes.