Serra diz ser de esquerda e que BC não está acima do bem e do mal

Portal Terra

DA REDAÇÃO - Em entrevista a Rádio CBN, na manhã desta segunda-feira (10), o pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, disse ser um político de esquerda e se irritou com perguntas sobre a relação que manteria com o Banco Central, caso fosse eleito. "O BC não é a Santa Sé. De repente monta-se um núcleo acima do bem e do mal...", criticou. Mas negou que queira fazer mudanças bruscas na condução da economia. "Fiquem tranquilos que não haverá nenhuma virada de mesa", ponderou o tucano, após ressaltar que ajudou a erguer a "mesa" da economia no Brasil.

No início da entrevista, Serra foi questionado sobre seu direcionamento político pelo jornalista Heródoto Barbeiro. Respondeu ser de esquerda, com uma ressalva: "não é uma categoria que hoje em dia eu uso, mas do ponto de vista convencional, sim". Em seguida, o pré-candidato do PSDB embasou a réplica do jornalista. "No sentido que eu defendo um projeto de desenvolvimento nacional para o País, que eu defendo o Estado com um governo forte, não obeso, mas musculoso".

Economia

O pré-candidato tucano afirmou que uma eventual redução de juros, defendida por ele, deve ser um processo de médio e longo prazo. Mas rejeitou a sugestão de que o BC não pode ser criticado. "Quando eu vir o BC errando, não posso falar? Por quê? São sacerdotes? Tem algo divino, secreto (...) tanto que não posso nem falar que estão errados? Ah, tenha paciência", afirmou o pré-candidato, visivelmente irritado.

Questionado se respeitaria a autonomia do BC, Serra respondeu que "é brincadeira achar que eu não faria isso" e prosseguiu: "A questão é quando há condições em abaixar a taxa de juros e o BC não abaixa. Como, por exemplo, durante a crise". "O Brasil foi o último país do mundo inteiro a diminuir a taxa de juros", disse, para depois criticar a atitude do governo brasileiro durante a crise. "A crise foi grave para os padrões brasileiros, não baixar foi um erro (...) a inflação estava caindo".

"Temos que dar tranquilidade ao BC, dar condições para ele trabalhar, mas quando houver erros calamitosos tem que poder avisar, como FHC fazia (...) sem ataques de nervosismos", afirmou Serra, em defesa do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

Privatizações e Bolsa Família

Questionado sobre a possibilidade de privatizações das estatais, o presidenciável disse que a especulação sobre o assunto é jogo da oposição. "Isso é 'trololó', arma de campanha eleitoral", afirmou. Perguntado se teria intenção de privatizar mais alguma estatal - especificamente o Banco do Brasil e a Petrobras - Serra disse que não.

Com relação ao Bolsa Família, Serra afirmou que pretende manter o programa. "Assistencialista ou não, o Bolsa Família deve ser mantido (...). Mas deve ser fortalecido na questão do vínculo educacional e da saúde", referindo-se ao programa de Saúde da Família. "Deve reforçar os vínculos da natureza educacional, não apenas de comparecimento de criança na escola, mas também no encaminhamento dos jovens para o ensino profissionalizante", disse.

Heródoto Barbeiro perguntou ainda se o ex-governador pretende aparelhar o Estado com integrantes do PSDB, caso vença a eleição. "Não, claro que não. Basta olhar outras experiências. Nós nem temos aparato partidário grande, um verdadeiro exército. É inegável que o governo, quando está o PT, aparelha. Uma das características, que nós temos é de não aparelhar. Aliás, no Ministério da Saúde eu tinha em cargos altos até gente do PT", disse.