Presidenciáveis disputam palanques no RS

Flavia Bemfica, Portal Terra

PORTO ALEGRE - É acirrada no Rio Grande do Sul a disputa por palanques entre os dois principais pré-candidatos à sucessão presidencial: a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Oficialmente, os movimentos de Dilma começam na próxima terça-feira, quando, de volta ao Estado, ela será a convidada de honra de um jantar em Porto Alegre para o lançamento do comitê pluripartidário de apoio a sua pré-candidatura. Participam do comitê, por enquanto, além de petistas, integrantes do PDT, do PCdoB, do PSB e do PPL.

Na prática, a ofensiva da ex-ministra já começou. E pretende avançar sobre o palanque serrista. Hoje no Rio Grande do Sul Serra tem o apoio, para além do PSDB, do PPS, do PP, do DEM e de parte do PMDB. A estratégia petista inclui o enfraquecimento do apoio do PP e o estabelecimento de um segundo palanque que não o do PT. Já a estratégia tucana tenta segurar o apoio progressista e avançar sobre as preferências dos peemedebistas.

Há alguns meses a questão do segundo palanque de Dilma parecia resolvida. Ele seria o de José Fogaça, pré-candidato ao governo do Estado pelo PMDB, que no Rio Grande do Sul está aliado ao PDT. O PDT não só fechou posição nacional pró-Dilma como, quando das negociações para a aliança com o PMDB, chegou a colocar o apoio dos peemedebistas à candidatura da ex-ministra como condição para o acordo. Dilma tem a simpatia de lideranças como o presidente do PMDB, senador Pedro Simon, e o voto do coordenador geral da campanha de Fogaça, o deputado federal Mendes Ribeiro Filho. Mas são tantas as manifestações de apoio a Serra dentro do PMDB gaúcho, que ameaça tornar-se dissidência mesmo que o partido indique o vice na chapa presidencial petista, que o PT mudou o foco.

Agora é o PSB que ganha força para ser o segundo palanque de Dilma no RS. Não só porque as negociações nacionais entre PT e PSB após a retirada da candidatura de Ciro Gomes à presidência da República incluem a manutenção de candidaturas socialistas em alguns estados, entre eles o Rio Grande do Sul. Mas também porque o PT passou a considerar a possibilidade de a pré-candidatura do deputado federal Beto Albuquerque (PSB) poder ajudar no enfraquecimento das negociações entre PP e PSDB, que já estão bastante tensionadas. ¿É claro que minha candidatura é bem vista pelo PT nacional. Se o PSB e o PP coligam aqui no RS, a negociação nacional do PT com os progressistas fica facilitada¿, esclarece Beto.

Desde o ano passado, Beto disputa o apoio do PP com o PSDB no Estado. Inicialmente, a vitória tucana parecia certa, porém os acontecimentos das duas últimas semanas embaralharam o cenário eleitoral. Lideranças do PP e do PSDB esperavam fechar o acordo na segunda-feira, 3 de maio, véspera da chegada de José Serra para uma visita ao Rio Grande do Sul. Mas o PSDB não aceitou uma das condições progressistas e, desde então, as relações entre os dois partidos estão estremecidas. As declarações de Serra em Porto Alegre, de que o PSDB gaúcho devia fazer um esforço para fechar a aliança, e seus insistentes movimentos para demonstrar que tem o apoio do PMDB no Estado, causaram incômodo no PSDB, no PMDB, no PP e no PDT.

Dividido quanto à eleição estadual, o PP gaúcho tirou posição de apoio a Serra ainda no ano passado. E está sendo um obstáculo a parte do PP nacional que deseja apoiar Dilma. Apesar de ter tentado reunir-se com deputados peemedebistas, e de ter protagonizado um encontro mal-explicado com Fogaça, Serra não teve qualquer encontro com lideranças do PP.

Informado sobre a falta de acordo PSDB/PP quando já estava em viagem, na cidade de Santa Maria, o tucano, antes de partir do Estado, na quarta-feira, ligou para um dos expoentes do PP gaúcho, Francisco Turra, para tratar do assunto. Turra foi presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e ministro da Agricultura durante o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas é também tio de Beto Albuquerque e, no último verão, recebeu lideranças do PP, do PCdoB e do PSB em sua residência na praia de Rainha do Mar para um encontro que tratou da viabilidade da candidatura de Beto.

Na quinta-feira, já longe do RS, Serra e o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, contataram o presidente do PSDB gaúcho, o deputado federal Cláudio Diaz, para pressionar pela aliança com o PP. Ainda na quinta, sem o conhecimento do PSDB gaúcho, Guerra ligou para o presidente do PP no Rio Grande do Sul, Pedro Bertolucci. Como resultado, na próxima quarta-feira o dirigente progressista viajará para Brasília. Mas, também para a semana que vem, Bertolucci agendou encontros com Beto e com o pré-candidato do PTB ao governo gaúcho, o deputado Luis Augusto Lara.

O contato de Guerra diretamente com o PP gaúcho aumentou a tensão. "Queremos a aliança com o PP, ela é necessária, é importante, mas se vier de cima para baixo, aí é como colocar cinta em gata, a gente não vai aceitar, vão perder o Rio Grande", informou Diaz nesta sexta-feira. O deputado também comparou as iniciativas do PSDB nacional com a postura de Serra durante sua visita ao Estado. ¿Os movimentos do candidato à presidência são corretos. Deixamos de recebê-lo no PSDB para que ocorressem movimentos em direção a outros partidos. A base fica magoada, mas entende. Só que isso é muito diferente de dizer o que temos de fazer."

Enquanto isso, a candidatura socialista avança. Nesta sexta-feira pela manhã, em uma reunião entre lideranças do PSB e do PCdoB gaúchos, o PCdoB reafirmou seu apoio à pré-candidatura de Beto. Os dois partidos estipularam a terceira semana de maio como prazo para definição da chapa majoritária. A decisão deixa o PCdoB mais distante de um apoio à pré-candidatura do petista Tarso Genro, mas fortalece Dilma. Se o PP chegar a coligar com Beto, mas não com Dilma, ela pode até não ter um palanque oficial, mas prejudica a adesão do PP gaúcho a Serra. "No Rio Grande do Sul, para a eleição presidencial, as direções partidárias não conseguirão segurar os apoios. No caso dos prefeitos, por exemplo, haverá movimentos espontâneos e cruzados para os candidatos", admitiu o presidente do PDT gaúcho, Romildo Bolzan Jr., depois de participar, na quinta-feira, do jantar de organização para o lançamento do comitê pluripartidário de apoio à Dilma. Entre as lideranças que compareceram ao encontro estavam um prefeito do PMDB e uma prefeita do PP, que abriu voto para a petista.