Polícia prende nove funcionários de Assembleia do Paraná

Roger Pereira, Portal Terra

CURITIBA - O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formado pelo Ministério Público e pelas polícias Militar e Civil do Paraná, cumpriu, neste sábado (8), 24 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão na operação batizada de Ectoplasma 2, resultado das investigações sobre atos secretos, contração de funcionários fantasmas e desvio de recursos públicos na Assembleia Legislativa do Paraná.

A operação pretendia prender mais pessoas (15, segundo informações extra-oficiais), mas algumas não foram encontradas depois que a articulação da operação vazou na noite de sexta-feira.

Foram detidos neste sábado o diretor da gráfica da Assembleia, Luis Carlos Monteiro, o ex-diretor administrativo, José Ary Nassif (que havia sido liberado na última quinta-feira graças a um habeas corpus) e sete pessoas que teriam recebido salários da Assembleia sem prestar serviços ao Legislativo: Pierre José Gbur, Clori Maria de Oliveira, Eduardo José Gbur, Glaucilene de Souza Gbur, José Devanir Bordignon, Viviane Bastos Pequeno e Derci Aparecido Schmidt.

Também havia mandados de prisão contra o ex-diretor geral, Abib Miguel, e o ex-diretor de pessoal, Cláudio Marques da Silva, mas os dois já estavam presos desde a operação Ecctoplasma, no dia 24 de abril. Abib Migule chegou a ser solto na noite de quinta-feira, mas voltou à prisão cinco horas depois.

Após prestarem depoimento, Pierre e Glaucilene Gbur, Clori de Oliveira e José Bordignon foram liberados. O diretor da gráfica, Luis Carlos Monteiro, ainda estava sendo ouvido às 17h30 e, segundo o procurador Leonir Batisti, coordenado do Gaeco, também deveria ser liberado.

O procurador explicou que as prisões de hoje ocorreram pela constatação de mais um núcleo familiar contratado pela Assembleia como funcionários fantasmas, a exemplo das quatro pessoas de uma mesma família (Leal de Matos) presas na dia 24, junto com os ex-diretores.

"O modo de operar é idêntico, mas, por se tratarem de mais pessoas, o volume de dinheiro desviado da Assembleia deverá ser superior aos R$ 13 milhões constatados no caso anterior", disse Batisti, informando ainda não ter dados precisos de quanto teria sido desviado nesse novo esquema.

O Gaeco apreendeu documentos em Curitiba e região metropolitana, no município de Faxinal, no interior do Estado e na fazenda Isabel, de propriedade de Abib Miguel, no interior do Goiás. Acompanhados do diretor da gráfica, os promotores entraram no prédio da Assembleia para buscar documentos e fazer cópia de dados dos computadores da Casa.

Na gráfica, os promotores encontraram diários impressos em datas bastante superiores às da data de suas capas. "O diário do dia 24 de junho do ano passado, por exemplo, foi gerado apenas no dia 13 de julho", disse Batisti.

"Constatamos que a Assembleia estava bastante desorganizada, mas esta desorganização poderia ser proposital, para facilitar os atos ilícitos", afirmou o procurador.

Em nota oficial, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná lamentou a invasão das suas dependências por parte do Ministério Público e disse que "os excessos cometidos colocam em risco a democracia, as instituções legalmente constituídas e o estado de direito. Estão previamente condenando investigados e suplantando o direito ao contraditório e a ampla defesa".