Ex-governador nega versão de deputada para dinheiro na bolsa

Claudia Andrade, Portal Terra

BRASÍLIA - O ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz negou nesta sexta-feira a versão da deputada Eurides Brito (PMDB) sobre a origem do dinheiro que a parlamentar aparece colocando na bolsa em um vídeo do inquérito que investiga suposto esquema de pagamento de propina no DF.

Em resposta por escrito a perguntas feitas pela Comissão de Ética da Câmara Legislativa, que analisa processo por quebra de decoro contra Eurides, Roriz nega que tenha ressarcido a deputada por eventos políticos realizados na pré-campanha eleitoral de 2006. "Nunca assumi compromisso de ressarcimento de despesas", afirma.

Roriz também nega ter recebido qualquer orçamento das despesas da deputada com as reuniões. "Não. Jamais. Nunca", diz o ex-governador, acrescentando que só ficou sabendo dos fatos "pela imprensa".

A deputada deu sua versão sobre o vídeo no início de março, em sua página pessoal. À época, a assessoria de Roriz classificou a versão de "fantasiosa".

Para a relatora do processo na comissão, Érika Kokay (PT), é preciso "buscar a verdade". "Temos duas respostas que são antagônicas. Vamos ter que tentar dirimir isso. Vamos trabalhar com a perspectiva de buscar a verdade. Vamos ter que continuar as diligências, analisar oitivas, analisar os documentos que nos chegaram, porque não existem duas verdades", diz.

A relatora pretende concluir o processo antes do recesso parlamentar de julho, afirmando que na volta do recesso, as eleições vão dominar a pauta da Câmara Distrital. Eurides Brito nega as acusações de que faria parte do suposto esquema de corrupção.

Entenda o caso

O mensalão do DEM, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O então governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.