Libaneses refugiados de guerra poderão recuperar nacionalidade

Agência Brasil

CAROLINA GONÇALVES - O acordo de cooperação técnica assinado hoje (26), no Rio de Janeiro, pelo presidente do Líbano, Michel Suleiman, e a direção do Arquivo Nacional do Brasil vai permitir que brasileiros com origem libanesa recuperem sua nacionalidade de origem.

Até a assinatura do documento, os descendentes do país árabe tinham que optar entre as duas cidadanias. Estima-se que existem mais de 7 milhões de libaneses morando hoje no Brasil. O número representaria mais do que o dobro da população no Líbano.

O acordo vai ser a porta de entrada do Oriente Médio para a América Latina. Os brasileiros de origem libanesa têm que deter a chave de abertura dessa porta. E faço um apelo para que voltem e registrem o nome deles para recuperar sua nacionalidade , pediu o presidente Suleiman, que considerou o documento uma oportunidade para a população de seu país.

Muitos libaneses saíram do Líbano, fugindo de guerras e ocupações ou buscando espaço na classe trabalhadora de outras nações. Esse processo migratório para o Brasil foi intensificado entre os séculos 19 e 20, quando o governo brasileiro criou incentivos para atrair outros povos, com a meta de cumprir o movimento de abolição e substituir a mão de obra escrava nas lavouras.

O acordo de cooperação assinado hoje também vai permitir a troca de documentos e registros históricos, econômicos e culturais e estimular um estudo sistemático das influências das duas nações reciprocamente.

Durante visita ao Arquivo Nacional, Suleiman afirmou ainda que a denúncia de Israel - que acusa a Síria de enviar mísseis para o Hezbollah, grupo islâmico apoiado pela Síria e pelo Irã - não tem fundamento. É uma invenção estranha , disse.

Para Suleiman, Israel está fugindo das pressões da Europa. "A guerra contra o Líbano não é fácil e Israel sabe disso. O Líbano nunca procurou a guerra. Mas se estiverem contra ele, verão que o Líbano ficará unido e enfrentará isso tudo.