Dilma ratifica aliança com Cabral e se defende das declarações de Ciro

Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Pré-candidata do PT à Presidência da República nas eleições deste ano, Dilma Rousseff participou domingo do encontro estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), no Rio. O evento realizado na quadra da escola de samba Portela, em Madureira serviu para ratificar a aliança entre a ex-ministra, o governador Sérgio Cabral Filho, que tentará a reeleição este ano, e Lindberg Farias, que se candidatará ao Senado. Apoiador da causa, o prefeito Eduardo Paes também esteve no encontro, que foi marcado por atrasos, algumas vaias e muita desorganização.

Antes do comício para os militantes do PT, Dilma concedeu entrevista coletiva à imprensa. O principal assunto foram as declarações do eventual candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Ciro Gomes, que, há alguns dias, afirmara que a ex-ministra não teria competência para presidir o país, por nunca ter sido eleita a cargo algum.

Tenho admiração pelo Ciro e respeito a opinião dele. Só que eu acho que tenho todas as credenciais para ser presidente, pois passei por todas as esferas de governo, participei de inúmeras lutas políticas e coordenei os principais programas do governo Lula afirmou Dilma. Aliás, também disseram que o Lula não tinha competência para governar o Brasil por não ter diploma universitário. Esqueceram que o nosso presidente é formado em Brasil, pós-graduado em democracia e doutor em desenvolvimento social brincou.

Apesar de declarar o apoio à candidatura de Cabral, a ex-ministra admitiu que pode formar outras alianças.

No que se refere a outros palanques, a coordenação da minha campanha e todos os partidos da base aliada vão decidir as condições, se vai haver ou não outros palanques.

Vaias a Cabral

Mesmo com o apoio de Dilma e de todas as lideranças do PT, alguns militantes do partido se manifestaram contra a aliança com Cabral, vaiado ao subir no palco. O prefeito Eduardo Paes também recebeu algumas vaias quando foi anunciado. Alegando que iria atrasar o andamento, Paes não quis discursar, diferentemente de Cabral, que enfrentou a resistência de parte do público.

Em 2006, naquele segundo turno histórico, Lula e eu nos unimos para recuperar o Rio. Hoje, com a confirmação da minha aliança com a Dilma, demos um enorme passo para continuar recuperando o estado, que hoje é o primeiro no ranking de recursos federais disse Cabral.

No encontro de domingo, foi confirmada a candidatura de Lindberg Farias para o Senado. O ex-prefeito de Nova Iguaçu disputava o posto de candidato do partido com Benedita da Silva. Em seu discurso, o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) criticou o pré-candidato da oposição, José Serra (PSDB).

Dizem que o Serra é desenvolvimentista, o que eu discordo, pois ele ataca todas as nossas obras resumiu.

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra também atacou os opositores.

Tentaram polarizar a tragédia das fortes chuvas no Rio, colocando toda a culpa no Paes, no Cabral e no Lula, o que não é justo, pois estes agiram da melhor forma para ressarcir o prejuízo da população.

Encontro é marcado por atrasos e desorganização

Atrasos, calor, tumulto e desorganização. Se o PT desejava fazer um evento para causar boa impressão no público, o tiro foi dado no próprio pé. Marcado para iniciar às 8h, o encontro só foi aberto às 10h45. A presidenciável Dilma Rousseff se atrasou por causa de um encontro com artistas, organizado pelo compositor Wagner Tiso e realizado em um hotel de Ipanema. A pré-candidata chegou à quadra da Portela por volta de 11h30, quando conversou com jornalistas em um espaço improvisado ao lado do palco, para depois se dirigir à mesa de comícios.

Por estarem com todos os ventiladores desligados, o calor na quadra era incessante, assim como a desorganização. Para a imprensa, foi determinado inicialmente que seu espaço se limitaria a uma bancada à esquerda do palco e a alguns metros do mesmo. No entanto, a presença de militantes do PT e populares com bandeiras na frente limitava a visão dos repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, que tiveram de ficar junto ao público para conseguir um melhor registro de informações. Por causa do espaço reduzido, houve alguns princípios de discussões.

Na saída de Dilma ocorrida por volta das 14h houve grande aglomeração de populares em torno da presidenciável, que teve muita dificuldade para chegar ao carro que lhe trouxera à quadra.