Polícia ouve depoimento de monsenhor acusado de pedofilia

Odilon Rios, Portal Terra

MACEIÓ - A Polícia Civil de Alagoas ouve nesta quinta-feira o monsenhor da cidade de Arapiraca, agreste de Alagoas, e mais duas pessoas. O religioso cumpre prisão domiciliar por causa da idade: 85 anos. Ele é acusado de abusar sexualmente de ex-coroinhas, na época, menores de idade. O monsenhor está preso desde o último domingo, a pedido do presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR/ES), porque em sua casa foi encontrada uma passagem aérea. A CPI interpretou o achado como um plano para fuga. No momento da prisão, no último domingo, ele negou o plano.

De acordo com a delegada Maria Angelita, os novos depoimentos são de praxe e serão tomados por causa das novas informações levantadas pela CPI, que esteve em Arapiraca no final de semana passado. "O inquérito deve ser concluído no mês de maio", disse a delegada. O caso corre em segredo de Justiça.

O monsenhor foi flagrado em um vídeo, exibido no programa Conexão Repórter, do SBT, fazendo sexo com um ex-coroinha em frente a um altar. Além dele, outro monsenhor e um padre são acusados de participarem de orgias, envolvendo menores, em Arapiraca. Em depoimento a CPI, padre confessou ser homossexual e que fazia sexo na concatedral da cidade. Depois, pagava os programas com o dízimo, recolhido dos fiéis.

Para depor, o padre recebeu o benefício da delação premiada - redução de pena, em caso de condenação, oferecendo informações a respeito do inquérito. Ele contou que uma casa, na cidade da Barra de São Miguel, litoral sul alagoano, era frequentada por padres e pelos coroinhas, e cada integrante da Igreja era chamado de apelidos femininos, como Vera Fischer, Simone e Pâmela.

A população arapiraquense assistiu aos depoimentos estarrecida, com vaias e gritando palavras como "nojento", direcionadas aos religiosos. Um monsenhor comparou-se a Jesus, no depoimento a CPI. O outro, chamou os ex-coroinhas de mentirosos.

Ao mesmo tempo, o advogado dos religiosos, Daniel Fernandes, disse que os padres foram extorquidos pelos coroinhas. Eles pediram R$ 5 mihões, mas receberam R$ 30 mil, para que o vídeo do monsenhor não fosse divulgado a imprensa, mas isso acabou acontecendo. Hoje, o DVD pode ser encontrado pelas ruas de Arapiraca por R$ 2.

"Eu lhe pergunto quanto é que vale um escândalo desse", diz um ex-coroinha, na gravação. "Se a ideia de vocês é detonar, ninguém vai poder detornar... Agora, eu pergunto: uma pessoa de 14 ou 15 anos não sabe se livrar de um certo assédio. O que vocês querem mesmo é dinheiro", diz o advogado, na gravação. Os ex-coroinhas dizem que a gravação foi editada. Na gravação, eles dizem ainda que a casa do monsenhor "está servindo de motel em Arapiraca e todos sabem disso".