Gurgel: eleição indireta no DF reforça tese de intervenção

Luciana Cobucci, Portal Terra

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta quarta-feira que mesmo com a eleição indireta de um novo governador para o Distrito Federal a intervenção federal continua sendo a melhor solução para a capital. Gurgel participou nesta quarta de uma solenidade no Supremo Tribunal Federal (STF) em comemoração aos 50 anos de Brasília. Segundo Gurgel, a eleição não foi isenta e contamina todo o processo de escolha.

"Acho que a eleição indireta reforça a necessidade de intervenção na medida em que o colégio eleitoral é formado, em maioria, por deputados envolvidos no escândalo de corrupção instalado no DF. A solução ainda é a intervenção federal. Independentemente das boas intenções do novo governador, todo o processo de escolha está viciado porque oito dos 13 parlamentares que o escolheram estão contaminados", disse.

"Por mais que haja esforço do novo governador, os problemas de Brasília não estarão solucionados. Este não é um problema só do Poder Executivo local. Com a eleição, o que se pretende é dar uma ideia de normalidade, mas essa normalidade não existe, é só uma aparência", afirmou Roberto Gurgel.

O procurador-geral da República reconhece que há um atraso na apreciação do pedido de intervenção pelos ministros do STF, mas considera normal, já que o presidente do STF Gilmar Mendes será substituído na próxima sexta-feira por Cezar Peluso.

O novo governador do DF, Rogério Rosso (PMDB), foi eleito para um mandato "tampão" - até o final de dezembro - em eleição indireta realizada no último sábado, na Câmara Legislativa. Rosso é o quarto governador do DF desde fevereiro, quando José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) foi preso. O vice, Paulo Octavio, chegou a assumir o governo, mas renunciou poucos dias depois e Wilson Lima, presidente da Câmara, assumiu o governo interinamente.

Entenda o caso

O mensalão do DEM, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.