Rosso assume com futuro incerto

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A eleição e posse do novo governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), que assumiu segunda-feira prometendo uma luta cerrada contra a intervenção, aumentaram o ânimo do Ministério Público Federal para aprovar o pedido protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta só deverá entrar na pauta da Corte depois da posse do novo presidente, César Peluso, que assume o cargo na próxima sexta-feira.

A eleição indireta é o mais forte argumento para decretar a intervenção. Ela é o único caminho para assegurar o saneamento do Distrito Federal diz o procurador Geral da República, Roberto Gurgel. Segundo ele, o colegiado de parlamentares que elegeu indiretamente Rosso é formado por notórios envolvidos com o esquema criminoso desarticulado pelo MPF e Polícia Federal e está comprometido com a corrupção.

Suplemente de deputado federal, o novo governador é advogado. Foi secretário e assessor dos ex-governadores Joaquim Roriz e de José Roberto Arruda, libertado na semana passada depois de 61 um dias de prisão por ter tentado, segundo o MPF, obstruir as investigações sobre o mensalão do DEM. Segunda-feira, logo depois de tomar posse, Rosso anunciou que vai procurar Gurgel para apresentar seu programa de governo. Sua prioridade é afastar o fantasma da intervenção prometendo estancar os dutos da corrupção.

Nosso objetivo é a normalidade institucional, ou seja, evitar a intervenção, e o equilíbrio fiscal prometeu o novo governador. Rosso disse que vai fazer uma visita ao procurador Roberto Gurgel e aos ministros do STF para tentar convencê-los de que o caminho não é a intervenção. Ele pregou a união dos políticos e das instituições e afirmou que vai manter as auditorias e proibir contratos emergenciais.

Ex-secretário

No último governo de Roriz, Rosso foi secretário de Desenvolvimento Econômico e Administrador Regional de Ceilândia, cidade satélite de Brasília. No governo Arruda, ocupou justamente a pasta em que se originou o escândalo das propinas, a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), onde o ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa distribuía propinas e registrava a presença de mensaleiros apanhando dinheiro.

As promessas de moralidade não convenceram Gurgel. Para o procurador, as revelações da Operação Caixa de Pandora demonstram que o esquema está amplamente disseminado em todos os órgãos públicos do governo distrital e que os parlamentares fazem parte desse esquema. Segundo Gurgel, os deputados não têm legitimidade para escolher um novo governador. As investigações não foram concluídas, mas estima-se que um terço da Câmara Distrital esteja envolvido.

Mudam os personagens, mas persiste o esquema criminoso disse o procurador. O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e o presidente do STF, Gilmar Mendes, que participavam de um congresso da ONU sobre crime organizado, em Salvador, acompanharam juntos pela web o desenrolar da eleição, mas não quiseram opinar sobre o reflexo da eleição indireta no processo de intervenção. Mendes acha a intervenção complexa, e deixou para Peluso resolver.