Economia não pode afetar direito dos índios, diz Lula

Jornal do Brasil

BOA VISTA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou segunda-feira, dia do Índio, a reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, e afirmou que o desenvolvimento econômico do estado não pode afetar o direito dos índios, como queriam o governo estadual e produtores de arroz. Para ele, em um estado com tanta terra, não se poderia permitir que quisessem justamente a terra indígena.

Passamos 6 milhões de hectares do governo federal para o estado de Roraima para que a gente pudesse dar terra para quem quisesse trabalhar, sobretudo para pequenos e médios proprietários disse Lula.

Segundo o presidente, o desenvolvimento não pode tirar dos índios o direito de viver como querem. Lula fez questão de comemorar o Dia do Índio com uma visita à área na data em que a entrega da reserva completou um ano. O presidente afirmou que os índios reivindicam o que têm direito.

Não conhecemos na história nenhum momento em que uma nação indígena invadiu a terra de outro para tomar conta. Pelo contrário, o que acontece normalmente são os outros invadirem as áreas indígenas tentando se apossar de uma terra que não é deles afirmou Lula.

O presidente lembrou que foi demonizado em Roraima por causa da homologação. Na época, outdoors espalhados na capital, repudiavam a presença dele e do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos contra a homologação em área contínua.

Era como se nós fôssemos o demônio. Diziam que iríamos tirar a terra que Roraima precisava para produzir. Um estado com tanta terra ainda sem produzir e alguns queriam exatamente a terra que não era deles, que era dos índios ressaltou.

Justificativa

O presidente lembrou ainda que, durante boa parte de seu mandato, evitou ir à terra indígena por causa das divergências entre os governos estadual e federal. Lula diz que não queria polemizar com os políticos que continuam achando que tem pouco índio para muita terra.

Demarcada em 1998 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e homologada em 2005 por Lula, a reserva foi alvo de uma briga judicial com o governo de Roraima, que questionou no Supremo Tribunal Federal (STF) a demarcação em área contínua. Os opositores defendiam a demarcação em ilhas, para que seis grandes produtores de arroz e outros produtores rurais não índios pudessem permanecer na área.

O STF confirmou a homologação e o governo garantiu a saída dos não índios. As entidades que representam os índios ainda divergem sobre as medidas, embora os fazendeiros já tenham deixado a área.