A exemplo de Lula, Aécio tenta transferir votos a seu candidato

Marcela Rocha e Juliana Prado, Portal Terra

BELO HORIZONTE - "Votar em Aécio é votar em José Serra e Anastasia. Aquele que queria votar em mim, ainda pode votar: aperte 45 no dia da eleição". As palavras de Aécio Neves direcionadas a uma platéia de prefeitos, vereadores e lideranças locais servem para calar as dúvidas de seu apoio ao pré-candidato tucano e para transferir seus eleitores ao "amigo e companheiro", segundo suas palavras. "Peço que cada um de vocês levem a seus municípios esse meu recado", arrematou o ex-governador de Minas.

Serra começou o seu discurso, agora sem terno e gravata, muito mais descontraído. Gesticulando bastante, o pré-candidato não poupou elogios a Anastasia, nem a Aécio, que não saiu de seu lado 1 segundo sequer. Em uma crítica aberta ao governo do PT, mas ainda sem citar a sigla de Lula, Serra usou novamente sua tese de partidarização da máquina estatal. "Nunca pedi carteirinha de filiação para atender prefeitos em São Paulo", disse, insinuando que isso é necessário para ser atendido pelo governo federal. "Quando estamos no governo não podemos nos servir dele, mas a ele", afirmou.

Sempre mostrando sua familiaridade com os assuntos mineiros, José Serra falou novamente da necessidade de ampliação do metrô e do aeroporto de Confins. Reclamou também da falta de suporte federal e não poupou críticas ao governo petista. Apesar de fazer um discurso bastante didático, onde abordou sua plataforma eleitoral - saúde, emprego e segurança -, Serra inseriu pequenos casos com populares em São Paulo, apelando, assim, para a emoção da plateia repleta de militantes.

Para um público de quase 700 pessoas, as lideranças tucanas se posicionaram no palco do Sesi Minas Gerais com o banner de 12 x 6 metros. "Aécio aponta o caminho: Minas é Serra e Anastasia", dizia o slogan. O partido estima 300 prefeitos presentes, do PSDB, DEM, PPS, PP e PTB. A solenidade seguiu o mesmo modelo usado para lançar a candidatura Serra em 10 de abril. Primeiro, discursaram os presidentes das legendas, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), seguido pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em seguida, falou Anastasia, Aécio e, por fim, Serra. A novidade foi o depoimento da presidente da Câmara Municipal de Minas, deputada Luzia Ferreira, que representava as mulheres da coligação.

Tanto Guerra quanto Serra rejeitaram o que seria o desejo petista de tornar o pleito de outubro em um plebiscito PT versus PSDB. O senador pernambucano questionou: "quem tem interesse em dividir o Brasil entre pobres e ricos?". "O povo não quer isso, o povo não tem nada a ver com isso", afirmou. "A unificação do País começa em Minas porque a palavra de Serra e Aécio todo mundo ouve", finalizou para explicar as razões de terem escolhido Minas Gerais como o primeiro passo da pré-campanha tucana.

Em breve discurso, porém "agitativo", o ex-governador de Minas, prestes a sair de férias e de visual novo ¿ com a barba por fazer -, também atacou a tese plebiscitária. "Não podemos dividir o país entre nós e eles. Não podemos entender os adversários como inimigos, é preciso generosidade acima de qualquer coisa". Aécio foi ovacionado, mas, dessa vez em casa, não foi conclamado a vice de Serra.

O deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM valorizou o evento e provocou: "nossos adversários não esperavam um evento como esse". Foi ele também o dono do discurso mais agressivo. "A pré-candidata do governo ataca a oposição, mas nós queremos um Brasil unido".

Mensalões

Coube à vereadora Luzia Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o papel de representar as mulheres e o presidente do PPS, Roberto Freire. Para uma plateia majoritariamente masculina, ela desafiou a pré-candidata petista, Dilma Rousseff a levar para o palanque os fundadores do PT e membros do partido envolvidos no escândalo do Mensalão, em 2005. Neste momento, militantes gritavam: ão, ão, ão, PT é Mensalão!¿. O senador Eduardo Azeredo, réu no Mensalão mineiro, ou tucano, estava ao lado da vereadora no palco.