Lula condena 'joguinho político' após tragédia no Rio

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta quinta-feira políticos e instituições que, segundo ele, apelam para um "joguinho político pequeno" após situações de catástrofe, como a que ocorreu com o Rio de Janeiro.

Após receber o presidente do Mali, Amadou Touré, Lula ainda saiu em defesa do ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), acusado de ter beneficiado com recursos o Estado da Bahia, seu berço político, em detrimento das demais unidades da federação. "É uma leviandade de quem falou", disse.

"O que eu acho pobre nesse País é que as pessoas esperam acontecer uma desgraça dessa magnitude para ficar tentando fazer um joguinho político pequeno. Nessa alturas a única coisa que temos que fazer - primeiro é ser solidário ao povo do Rio de Janeiro - depois pedir a Deus que mande um pouquinho de chuva para o Nordeste brasileiro e pare um pouquinho no Rio de Janeiro. Pare em São Paulo. É para chover no Nordeste. E depois cuidar de ajudar quem foi vítima dessas coisas que aconteceram no Rio de Janeiro", disse.

A Bahia foi o Estado que mais recebeu dinheiro do programa de prevenção e preparação para desastres, com 61% dos R$ 39,4 milhões que foram desembolsados pelo ministério. O Orçamento de União teria autorizado R$ 318 milhões para esse programa, mas apenas 12% foram utilizados. Geddel deixou o cargo na semana passada para disputar o governo estadual. O Rio de Janeiro não teria recebido dinheiro desse programa.

Ao todo, o Estado do ex-ministro recebeu R$ 24 milhões do programa de "prevenção e preparação para desastres". Juntos, os outros 15 Estados do País beneficiados com recursos do programa foram contemplados com R$ 15,4 milhões. A Bahia não foi o Estado mais afetado por desastres. No ano passado, foram reconhecidas situações de emergência e estados de calamidade pública em 950 municípios do País, segundo dados da secretaria. No Rio Grande do Sul, foram registrados situação de emergência e estado de calamidade pública em 209 municípios. Em Santa Catarina, 131 municípios tiveram ocorrências reconhecidas pela Defesa Civil. Já na Bahia houve o reconhecimento de incidências em apenas 50 municípios.

De acordo com o presidente, o governo estuda a possibilidade de fortalecer o programa Minha Casa Minha Vida, de construção de habitações populares, para atender os desabrigados no Rio de Janeiro, além de estar totalmente à disposição para socorrer a população vítima das chuvas. Lula conversou nesta manhã com os prefeitos do Rio, Eduardo Paes, e de Niterói, Jorge Roberto Silveira, para reforçar a iniciativa de ajuda do governo federal.

"Vai ser feita uma medida provisória em caráter emergencial de R$ 200 milhões para o Rio de Janeiro. Obviamente que quando acontece uma coisa como essa que aconteceu você tem que esperar parar de chover para se fazer um levantamento real das necessidades que você vai ter", disse Lula, voltando a enfatizar que "pede a Deus" que pare de chover no Estado.

"Agora estou pedindo a Deus que a chuva pare para que a gente comece a fazer o que tem que ser feito, tentar encontrar se tem corpos, tentar arrumar moradia. Penso que isso vai aumentando o nível de consciência dos dirigentes desse País para não permitir que as pessoas mais pobres comecem a construir suas casas em áreas de encostas, na beira de córregos porque quando acontece uma desgraça não aparece o responsável de quem deixou as pessoas irem para lá", afirmou o presidente.

"Se a gente tivesse cuidado no começo. Quando você tem uma casa você pode cuidar. Quando você tem duas você pode cuidar. Quando você tem mil, aí já vira um problema social e você não consegue mais mudar. O governo federal está totalmente disposto a fazer o que tem que ser feito para a gente poder ajudar o Rio de Janeiro", afirmou.

Ajuda federal

A Casa Civil da Presidência da República anunciou nesta quinta-feira a liberação de R$ 200 milhões como ajuda emergencial para a população atingida pelas chuvas no Rio de Janeiro. Ao todo, R$ 370 milhões foram solicitados ao governo federal, mas a liberação do restante dependerá da apresentação de projetos para obras estruturantes e de prevenção a catástrofes naturais.

O valor a ser liberado em caráter imediato foi definido após reunião entre a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Integração Nacional, João Santana.

Estragos e mortes

A chuva que castiga o Rio de Janeiro desde segunda-feira deixou pelo menos 160 mortos e mais de 150 feridos, alagou ruas, causou deslizamentos e destruição no Estado. Segundo o Instituto de Geotécnica do Município do Rio (Geo-Rio), desde o início do mês foi registrado índice pluviométrico entre 200 mm e 400 mm (dependendo da localidade). É o maior índice de chuvas na cidade desde que começou a medição, há mais de 40 anos. A média prevista para o mês de abril é de 91mm.